sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Por que a mídia brasileira espalhou pânico entre os estudantes por causa do ENEM - com o apoio de políticos conservadores - se 99,9% das provas estavam corretas? Eis o motivo...


Leia aqui sobre a decisão da justiça liberando o ENEM 2010.

Os últimos anos de um império chamado Globo

Há elementos bastante sólidos para se afirmar que as Organizações Globo estão vivendo seus últimos anos de império e que para breve ela será apenas mais um grupo de comunicação no Brasil. A audiência da TV aberta, que é o carro chefe da emissora vem caindo de forma constante há algum tempo.

Além disso, a Globo tem perdido telespectadores tanto para a concorrência como para a Internet. Os jovens já passam mais tempo no computador do que na frente da TV. Além do que, na Internet a Globo é mais uma. Seu portal não é nem o maior do país.

Agora, há dois novos elementos que são pilares fundamentais do poder da Globo que podem torná-la ainda mais fraca nos próximos anos. O primeiro tem relação com a decisão recente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cadê) que tirou da emissora a preferência pela renovação dos direitos do Campeonato Brasileiro das temporadas de 2012 a 2014.

A Rede Record está em polvorosa com a notícia. E há apostas de que o grupo do bispo pensa em dobrar o valor pago hoje pelos Marinhos, de 500 milhões ano para 1 bilhão.

Se isso vier a acontecer e a emissora paulista, que já venceu a concorrência pela transmissão dos Jogos Olímpicos de 2012, passará a ter a hegemonia da cobertura esportiva. No caso do Campeonato Brasileiro, se a Record vencer mais essa ela passa a ter condições objetivas de derrotar a Globo no horário nobre.

O melhor horário para os jogos da semana é o das 20h, 20h30. Mas por conta do Jornal Nacional e das novelas, a Globo faz com que eles se iniciem cada dia mais tarde. Antes eram 21h15 e agora já estão começando às 22h. Isso diminui consideravelmente o público nos estádios.

A Globo também só transmite um jogo por semana. Se a Record vier a ganhar o Brasileirão, ela vai fazer exatamente ao contrário. Transmitirá os jogos no horário nobre tanto para poder vender publicidades por um preço melhor, quanto para tirar audiência da sua principal concorrente. E empurrar as novelas para segundo lugar no horário.

Além disso, ao invés de transmitir apenas um jogo por semana, vai tentar fazer o maior número possível de partidas. Ou seja, vamos ter jogos nos canais abertos nas quartas e quintas e talvez em até dois horários nesses dias. Algo como o jogo das 19h e o das 21h. Além disso, o campeonato da série B provavelmente vai ser negociado com alguma parceira, como SBT ou a Rede TV pra ser transmitido nas terças e sextas em horários também nobres. E vão arrancar alguns pontinhos das novelas nos outros dias.

Boa parte da audiência e dos lucros da Globo tem relação com o futebol. Ele é uma das galinhas dos ovos de ouro da emissora. É quem paga boa parte das contas. O núcleo de novelas também é o responsável por uma considerável parcela das receitas e da audiência da emissora. Ou seja….

O segundo elemento que pode levar a derrocada da empresa dos Marinhos ser mais rápido do que o imaginado é que pela primeira vez desde 1964 que há indícios claros de ela não vai ser a toda poderosa do Ministério da Comunicação.

Há muitas articulações tanto no meio empresarial, quanto na sociedade civil e na classe política para impedir que novamente o futuro titular da pasta seja pau-mandado do Jardim Botânico.

Um importante dirigente partidário disse a seguinte frase que resume o animo da tropa governista: “Dessa vez eles perderam mesmo. Quando decidiram apoiar radicalmente o Serra fizeram uma opção. Vão ter o direito sagrado de ser oposição, inclusive no ministério da Comunicação”.

Amém!

Tiririca tira sarro da justiça, da imprensa, e da elite brasileira. Bem feito!

Por Júnior Miranda

O deputado eleito com mais de 1,3 milhão de votos dos paulistas, o cearense Francisco Everardo Oliveira Silva, o Tiririca, provou diante do juiz do Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo, na tarde de ontem (11), que sabe ler e escrever tranquilamente, frustrando seus adversários defensores da “ética” e do “moralismo” na política.

Eita, nois! Todo esse muído parece o enredo de mais um programa humorístico estrelado pelo próprio Tiririca. Pensaram em tirar sarro da cara do Tiririca, mas ele mesmo, o palhaço, que tirou sarro da cara da elite separatista brasileira, principalmente a paulista, que se intitula defensora do “moralismo” na política.

Daí, proponho alguns questionamentos conspiratórios: O Tiririca teria planejado tudo isso para depois zombar da própria situação? Teria sido mais uma jogada de marketing, já que a mídia não parou de falar no seu nome durante vários dias, apesar da abordagem preconceituosa? Ou o tiro dos adversários de Tiririca, entre eles, políticos profissionais derrotados, imprensa conservadora, etc., saiu pela culatra?

Após mais esta vitória do Tiririca, gostaria de ver a reação do William Bonner, o mesmo que classificou os telespectadores do Jornal Nacional de “Homer”, a personagem burra, “abestada” da família Simpson. Ou então, o Boris Casoy, que não suportou os garis desejarem um feliz ano novo aos telespectadores da Band. E ainda, o William Waack do Jornal da Globo, com aquela cara pálida de sempre. Peraí, essa eu dispenso. É aterrorizante!

O fato é que nos próximos quatro anos o povo paulista será representado por vossa excelência, o senhor Francisco Everardo Oliveira Silva, ou simplesmente Tiririca, o deputado federal mais votado do Brasil, eleito legítima e democraticamente para ocupar uma das 513 vagas da Câmara Federal. Escrevo assim sem nenhum demérito, pelo contrário, o Tiririca merece o respeito de todos os brasileiros. Por que não?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ricardo Coutinho ficará refém das oligarquias políticas paraibanas?


Por Júnior Miranda
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Pela primeira vez na história, a Paraíba será governada por um político oriundo das classes populares, e não de grupos oligárquicos que atrasaram o estado durante décadas. O ex-vereador, ex-deputado estadual, ex-prefeito de João Pessoa, e governador eleito pelo Partido Socialista Brasileiro, Ricardo Vieira Coutinho, governará um dos estados mais pobres do Brasil a partir de 2011.

Mas, para alcançar o posto mais alto do estado, Ricardo Coutinho aliou-se aos grupos políticos mais atrasados da Paraíba. Ou seria o contrário? Esses grupos atrasados que se aliaram a Ricardo por “necessidade de poder”, a exemplo do senador Efraim Moraes do DEMO, extirpado democraticamente pelos paraibanos através do voto na última eleição, ou melhor, dos "não votos"?

Vale lembrar que na campanha peemedebista também participaram outros grupos políticos atrasados, dos quais cito como exemplo o ex-governador e militante da antiga ARENA, Wilson Leite Braga. Neste quesito, os dois candidatos a governador da Paraíba estiveram “bem servidos”.

Por isso, acredito que um dos maiores desafios do governador eleito será administrar o estado sem tornar-se refém das “exigências” das oligarquias paraibanas. A expectativa por novas práticas políticas é grande em relação ao socialista.

Até que ponto as oligarquias regionais poderão dificultar, por exemplo, a instalação do orçamento participativo, uma das bandeiras políticas de Ricardo? Como modificar essa cultura política clientelista predominante no estado da Paraíba?

Porém, precisamos estar cientes de que o “nirvana administrativo” num estado dominado há décadas por oligarquias regionais representadas pelos Cunha Lima, Targino Maranhão, Lucena, Morais, Vital do Rego, Fernandes, Pessoa, Paulino, Maroja, Motta, Gadelha, Braga, Maia, Ribeiro, entre outras, não será alcançado do dia para a noite.

Se as recentes declarações de Ricardo Coutinho, de que ele não aceitará feudos dentro do estado, forem aplicadas em sua vindoura administração, e juntando-se a essa fase desenvolvimentista e de crescimento econômico do Nordeste, a qual prosseguirá no Governo da presidenta Dilma, poderemos vislumbrar, nos próximos anos, uma nova concepção de e da Paraíba. É o que esperamos.

Dilma vai ao encontro de Cristina Kirchner

Por Francisco Barreiras

Não há data marcada, mas uma visita a Cristina Kerchner, que acaba de enviuvar é prioridade absoluta no roteiro de viagens intencionais da presidente Dilma Rousseff. Tanto ela como o presidente Lula têm plena consciência de que nenhuma relação brasileira com qualquer outro país é tão estratégica como a que mantemos com a Argentina.

Desde que, há oito anos o Itamaraty elegeu o fortalecimento do MERCOSUL e a integração sul-americana como coluna mestra da diplomacia nacional, a máxima mais ouvida entre os principais dirigentes da Casa é a de que a Europa só conseguiu se unir, depois que França e Alemanha se entenderam, após séculos de sangrentas disputas. Por igual, a União Sul-Americana seria impensável sem uma aliança entre o Brasil e a Argentina.

Em política, o sentimento muitas vezes vale mais que a astúcia e o cálculo. É fácil ver, portanto, que, no momento que Cristina está sinceramente abalada com a morte do marido, a visita de uma presidente vizinha e amiga reforçaria de forma notável a aliança entre os dois países.

Como subprodutos, há que mencionar, em primeiro lugar, que esta visita (está prevista uma homenagem junto ao túmulo de Néstor Kirchner) popularizaria ainda mais Dilma Rousseff entre os argentinos, onde já é bem quista pelo fato de ser mulher e herdeira de Lula.

Em Buenos Aires, Dilma poderá colher (este é o segundo subproduto) a observação útil de que o Casal Kirchner só conseguiu enfrentar de uma só vez a mídia, tão bandida quanto a brasileira e a velha “La Rural”, a poderosa associação de grandes proprietários rurais, porque por lá as esquerdas contam com um poderoso instrumento de mobilização popular, a Juventude Peronista. Esta JP, como é conhecida, além de fiel aos Kirchner, é capaz de levar multidões às ruas. O impressionante funeral do presidente morto foi um exemplo disso.

Cedo ou tarde, Dilma e o PT terão que entender que sem mobilização popular e o reencontro com uma juventude hoje apática e distante, poderá haver algum progresso, mas o social será mais um vez protelado.

E já que estamos na Argentina, vale comentar que Néstor Kirchner, com sua morte, fez politicamente para sua mulher, o que já não estava conseguindo fazer quando vivo. Com a popularidade em queda, o ex-presidente seria certamente candidato à sucessão de Cristina, mas sua vitória era duvidosa. Com sua morte, sua popularidade renasceu de forma tão extraordinária, que a ala kirchneana e majoritária do peronismo já lançou a candidatura de Cristina para a reeleição nas eleições de Outubro do próximo ano. Além disso, “la presidenta” foi beneficiada pelo que os analistas locais dizem ser a solidariedade do “inconsciente coletivo feminino”.

O primeiro a se manifestar a favor da reeleição foi o chanceler Héctor Timerman , há três dias. Horas depois, recebeu apoio discreto de Augostin Rossi, líder da maioria governista no Congresso. Não poderia haver momento mais oportuno para a visita de Dilma a um país que além de vizinho é o nosso principal aliado.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

Twitter: condenação de Protógenes deixa internautas indignados

Delegado Protógenes Queiroz

Causou indignação na internet a decisão do juiz Ali Mazloum, da 7ª Vara Criminal Federal em São Paulo, de condenar o delegado da Polícia Federal e deputado federal eleito, Protógenes Queiroz (PCdoB), a quase quatro anos de prisão convertidos em prestação de serviços à comunidade.

Após chefiar a Operação Satiagraha, que condenou o banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, a 10 anos de prisão por corrupção ativa, Protógenes passou a ser perseguido e foi acusado de "vazar informações" e "forjar provas".

Na internet, particularmente no Twitter, milhares de ususários da rede de microblogs mostraram-se indignados com a condenação do delegado. O volume de mensagens de solidariedade a Protógenes e criticando a decisão judicial chegou a levar a hashtag Protógenes aos TT's (Trendign Topics), assuntos mais comentados.

O usuário Gabriel Pinheiro (@tgpgabriel) criticou: "Mandado de prisão para o Protógenes Queiroz. E o Daniel Dantas solto e rindo da nossa cara. Não, você não leu errado."

Ulysses S. de Faria (@Ulysses_Faria) postou: "Protógenes Queiroz, a esperança do Brasil, condenado a quase 4 anos de prisão por mexer com o dono das comunicações, Banqueiro Bandido."

"É foda como está tudo interligado, o juiz q condenou Protógenes Queiroz foi absolvido da acusação de formação de quadrilha por Gilmar Mendes", registrou o twtteiro Pedro Carvalho @pedrocarvalh)

O perfil PCdoB_Ctba registra: "Tarefa dos cidadãos éticos do país q não aturam a impunidade de um ladráo como Daniel Dantas: defender o delegado Protógenes Queiroz."

Outra mensagem, retwitada por dezenas de usuários criticava a cumplicidade da mídia com a perseguição ao delegado: "Capitão Nascimento prende/mata pobre e a Veja o chama de "Herói Nacional". Protógenes prende rico e a Veja o mostra como bandido".

O twitteiro Wendel Pinheiro (@wndelpinheiro) se solidarizou com o delegado: "Toda solidariedade a #Protogenes! Nesta ordem anticristã/capitalista, quem defende o certo paga #erros de gente #corrupta como Daniel Dantas".

Para Bruno Barros (@bfsbarros) "o delegado prende um dos maiores criminosos do Brasil e o que acontece? o delegado vai preso e o criminoso vai solto".

PHA: sonho de consumo do Daniel Dantas


Dantas, nos tempos em que brancos eram algemados. Viva o Brasil!

O jornalista Paulo Henrique Amorim também publicou em seu blog, Conversa Afiada, um comentário sobre a condenação do delegado, que ele qualifica como uma "delirante decisão".

"O delírio tem um objetivo explícito de impedir que o ínclito delegado se diplome deputado federal e possa subir à tribuna para ler o que ainda não se conhece da Operação Satiagraha", diz Amorim.

O jornalista revela que a "decisão delirante foi tomada por um conhecido juiz federal que se livrou de boa por causa de uma decisão Suprema do ex Supremo Presidente Supremo do Supremo Tribunal Federal", referindo-se à defesa que o ministro Gilmar Mendes (STF) fez do juiz Ali Mazloum. O mesmo que condenou Protógenes.

"Impedir que Protógenes Queiroz assuma a cadeira de deputado federal é o sonho de consumo do Daniel Dantas", critica Amorim.

O ENEM e os diferentes pesos e medidas da grande imprensa


Por Leandro Paterniani

Se um extraterrestre, que nunca teve nenhum tipo de informação sobre a Terra e, muito menos, sobre o Brasil, chegasse nestes últimos dias ao nosso país e tentasse obter informações através dos nossos grandes jornais e emissoras de TV, certamente seria mais um dos que engrossam o coro de críticas ao ENEM – o Exame Nacional do Ensino Médio. Isto porque a grande imprensa tem feito sistematicamente nos últimos tempos um exercício de desconstrução do Exame, que além de ser um poderoso instrumento de avaliação do ensino médio, ainda serve como caminho para milhares de estudantes ingressarem em uma IES (Instituição de Ensino Superior).

Bastou uma falha de proporção residual no último sábado (dia 6 de novembro), quando foi aplicada a primeira etapa do Exame, para que uma enxurrada de críticas ao ENEM, ao ministro da Educação Fernando Haddad e ao governo Lula tivesse início. Antes de seguir, cabe aqui fazer uma ressalva: este blog não tem nenhum tipo de complacência com erros e falhas, defendendo sempre uma postura crítica às mesmas. Ou seja, o questionamento que se faz aqui ao comportamento da imprensa sobre o episódio do ENEM não se dá em função das críticas às falhas ocorridas no ENEM no último final de semana, mas sim ao super-dimensionamento dado a estas falhas.

Falha atingiu apenas 0,006% das provas

De acordo com informações do MEC (Ministério da Educação), a falha de impressão nos cadernos de questões ocorrida no último sábado atingiu um lote de apenas 21 mil provas, em um universo de 3,5 milhões de estudantes que participaram do ENEM. Se fizermos os cálculos, veremos que o lote com falha corresponde à incrível (!) parcela de 0,006% do total: ou seja, em 99,94% dos casos, os cadernos de questões estavam totalmente corretos. Considerando que boa parte desses cadernos com falhas foram trocados por outros, estes corretos, ainda durante os primeiros minutos da prova, apenas 2 mil estudantes foram prejudicados pelo erro da gráfica.

Refaçamos então os cálculos: foram prejudicados 2 mil estudantes dentro de um universo de 3,5 milhões, correspondendo à cifra de 0,0006%, o que deixa claro o super-dimensionamento da falha que vem sendo praticado por boa parte da imprensa brasileira. É claro que o Ministério da Educação terá que encontrar uma solução para que estes 2 mil estudantes que foram prejudicados na primeira etapa do Exame não sejam mais prejudicados ainda para posterior seleção nas IES. E neste ponto é justo que a imprensa faça a devida cobrança. Por outro lado, transformar uma falha pontual em uma “crise”, como foi apregoado pelo blog do Reinaldo de Azevedo, na revista Veja, é um pouco demais!

Deve-se destacar o quão importante tem sido o aperfeiçoamento do ENEM ao longo dos últimos anos, sobretudo no que diz respeito à democratização do acesso ao ensino superior. Afinal de contas, o Exame Nacional do Ensino Médio é um dos principais critérios utilizados pelo ProUni para concessão de bolsas de estudo a milhares de estudantes de baixa renda, que sem esse auxílio do governo federal não teriam condições de freqüentar uma universidade. Dizer, portanto, que existe uma “crise” no ENEM só pode ser explicado por duas razões: desconhecimento sobre o Exame ou então pura má-fé mesmo! Se formos nos basear nessa lógica – a de transformar pequenas falhas em grandes crises – então a imprensa brasileira está perdida, pois vive numa crise monumental há muito tempo.

Dois pesos, duas medidas

De qualquer forma, essa cobertura oportunista que vem sendo dada pela grande imprensa ao episódio do ENEM nos mostra que o embate dos grandes veículos de comunicação com o governo federal nos próximos anos só tende a aumentar. Engana-se quem pensa que a grande luta com a imprensa golpista foi travada na arena da sucessão presidencial: muito pelo contrário, ao que tudo indica a grande imprensa fará o jogo da oposição de forma contundente ao longo de todo governo Dilma. Veja, Globo, Estadão, Folha e Cia não engoliram a derrota nas urnas que sofreram há 10 dias, o que nos faz pensar que a cobertura descaradamente parcial só tende a aumentar nos próximos anos.

Isso fica muito claro quando essa grande mídia super dimensiona uma pequena falha ocorrida no ENEM e esconde, por exemplo, o escândalo da licitação do metrô de São Paulo, denunciado na última semana do segundo turno das eleições presidenciais. Por que os jornais e revistas não dão ao escândalo de favorecimento nas licitações do metrô de SP o mesmo destaque dado a esta pequena falha ocorrida no ENEM? Sejamos claros: o que é mais importante do ponto de vista jornalístico – uma falha que afeta 0,0006% dos estudantes que prestaram o ENEM ou um esquema denunciado pela própria Folha de São Paulo que teve acesso seis meses antes do anúncio oficial pelo Metrô de SP aos vencedores da licitação para a Linha 5?

Por que é tão recorrente esta prática da grande imprensa de inflar pequenas falhas ocorridas na gestão petista e jogar debaixo do tapete grandes erros ocorridos em governos tucanos? Não se trata de justificar um erro pelo outro, mas sim de dar o devido peso a cada falha. É inadmissível, como dito anteriormente, que uma pequena falha que não atingiu nem 1% dos estudantes que prestaram o ENEM se transforme agora em uma “crise” de proporções homéricas na educação brasileira, como quer fazer parecer a grande imprensa. Longe de querer pedir imparcialidade, o que este blog pede à grande imprensa é o mínimo de coerência.

A diferença entre brasileiros e outros latino-americanos na hora de punir os torturadores


Um trecho da entrevista de Hamilton Octavio de Souza na revista Caros Amigos, edição de outubro:

Tatiana Merlino – Eu gostaria que o senhor falasse um pouco sobre a diferença entre os brasileiros e os outros países da América Latina que estão punindo os torturadores da ditadura. Por que o Brasil não consegue julgar esses torturadores da ditadura?

Porque nós somos dissimulados. Os hispânicos, em geral, são abertos e francos. A crueldade deles é aberta. A nossa é sempre dissimulada, sempre oculta, porque nós temos que dar uma aparência de civilização, de democracia… Nos países hispano-americanos, a repressão militar nunca foi escondida e eles tiveram o cuidado de pôr a justiça fora disso. Nós, não. Não só o Poder Judiciário continuou a funcionar normalmente, como a Justiça Militar, que em si mesma é hoje uma aberração, teve a sua competência ampliada. Então, quando houve a reviravolta no Chile, na Argentina, no Uruguai, todos os chefes de Estado do regime repressivo foram processados, julgados e condenados, além de dezenas de outros oficiais militares. No Brasil, em primeiro lugar, nem se sabe exatamente qual é a identidade de 90% dos torturadores, e, em segundo lugar, quanto aos grandes chefes militares é como se eles não soubessem nada disso, nunca ouviram falar de torturas. Vou mais além. No Brasil, os banqueiros e grandes empresários colaboraram claramente com o regime militar. Os banqueiros de São Paulo, como se sabe, fizeram uma reunião em São Paulo para angariar fundos para criar a Operação Bandeirante, que está na origem dos famigerados DOIs CODIs. Não passa pela cabeça de ninguém, hoje, infelizmente, que esses banqueiros são co-autores dos assassinatos, torturas e abusos sexuais de presos políticos, praticados no quadro da Operação Bandeirante e as operações policiais e militares que a sucederam.

Jabor tem seu dia de "Lula" – Apanha da Folha, da Veja e não suporta a crítica


Parece que o filme “A suprema felicidade” está se tornando a suprema decepção e inconformidade do seu autor Arnaldo Jabor com a crítica especializada.

A patética pergunta (Quem tem razão? A crítica ou o público?) do subtítulo de seu artigo de hoje em O Globo (Patrulhas ideológicas) dá bem a dimensão da maneira como Jabor reagiu mal à avaliação dos críticos de cinema ao seu trabalho.

Os críticos da “Folha” e da “Veja” disseram que o filme é “sem foco”, “acaba de repente”, e ainda que Jabor não é mais cineasta. Segundo Jabor, picharam, e falaram mal de seu trabalho.

E aí, o vivido Jabor não consegue entender, como um filme que já foi assistido por 180 mil pessoas, e algumas delas lhe enviaram até e-mail elogiando, é tratado assim, na base da “porrada”, como lixo, como se não tivesse nada de bom. Será que esse povo que elogia o filme é um bando de idiotas? Ou será que a razão está com os minguados críticos, e aí, em palavras minhas, uns três ou quatro que cabem dentro de um fusca?

E Jabor parte para o ataque aos seus críticos, rotula a eles de patrulheiros ideológicos e os acusa de invejosos, e de exercerem a crítica de forma “desonesta”, por inveja de alguém (dele) que é sucesso, no rádio e nos jornais...

Jabor desaprendeu de ser vidraça, faz tempo que ele é pedra, e nas suas análises políticas sobre o governo Lula, ele foi sempre cruel, como ativo membro da patrulha da oposição. Jabor esqueceu que ele sempre rotulou de analfabetos, ignorantes, otários, os 97% dos brasileiros que dão ao governo Lula aprovação entre regular e ótimo, Jabor sempre fez parte dos 3% que se acham os “críticos sabidos e inteligentes”, os que cabem dentro do fusca e são os brasileiros que conhecem o que é bom para o Brasil. Jabor nunca reclamou da Folha nem da Veja, quando elas esculacharam Lula, o PT e Dilma Rousseff, aí Jabor gostou, aplaudiu e ajudou a “bater”.

Quando Lula reclamou de que parte da Imprensa só criticava seu governo, sem ver nada de bom nele, Jabor enxergou nisso uma “ameaça a liberdade de expressão e de imprensa”. Jabor, a imprensa e os críticos são livres para achar que seu filma é uma droga, é um direito deles dizer isso, respeite a opinião dos que assistiram e não gostaram.

Quem semeia vento, colhe tempestade. Quem com ódio, preconceito, má vontade, “Folha e Veja” fere, com isso e com muito mais, acabara sendo ferido.


terça-feira, 9 de novembro de 2010

Franklin Martins critica propriedade de TVs por políticos

Leandro Colon, de O Estado de S.Paulo

BRASÍLIA - O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social do governo federal, criticou nesta terça-feira, 9, a propriedade de canais de televisão por políticos. Ele citou principalmente as emissoras de televisão que têm senadores e deputados como donos. "Todos nós sabemos que deputados e senadores não podem ter televisão", disse. Segundo ele, o setor virou "terra de ninguém" e os parlamentares usam "subterfúgios" para comandar emissoras. "A discussão foi sendo evitada e agora é oportunidade para que se discuta tudo isso", observou. O ministro disse ainda que os "fantasmas" não podem comandar o processo de regulação de mídias no Brasil. O maior "fantasma", segundo ele, seria a tese de que o governo quer ameaçar a liberdade de imprensa ao levantar o debate sobre o tema. "Essa história de que liberdade de imprensa está ameaçada é bobagem, fantasma, é um truque. Isso não está em jogo", disse.

As declarações foram dadas durante a abertura do seminário internacional "Comunicações Eletrônicas e Convergência de Mídias", evento organizado em Brasília pelo governo para discutir o anteprojeto de regulação do setor que o Palácio do Planalto pretende enviar ao Congresso até o fim do ano.

"Não haverá qualquer tipo de restrição. Mas vamos com calma. Isso não significa que não pode ter regulação. Isso (ameaça à liberdade) entra na discussão para não se entrar na discussão. Liberdade de imprensa não quer dizer que a imprensa não pode ser criticada, observada", afirmou Franklin Martins. "Liberdade de imprensa quer dizer que a imprensa é livre, não necessariamente boa. A imprensa erra", ressaltou. O ministro abriu o seminário. Defendeu um novo marco regulatório nos setores de radiodifusão e telecomunicações e mandou um recado aos adversários: "Nenhum grupo tem o poder de interditar a discussão. A discussão está na mesa. Terá de ser feita, num clima de enfrentamento ou entendimento".

O ministro afirmou que as críticas são frutos de "fúrias mesquinhas". "Os fantasmas passeiam por aí arrastando correntes", disse. "Os fantasmas, quando dominam nossas vidas, nos impedem de olhar de frente a realidade. Os fantasmas não podem comandar esse processo. Se comandarem, perderemos uma grande oportunidade", afirmou. Segundo ele, a intenção do governo é dar uma atenção especial ao setor de radiodifusão na discussão sobre o novo marco regulatório do setor. "O governo federal tem consciência de que nesse processo de convergência de mídia é necessário dar proteção especial à radiodifusão", afirmou.

No Contrapontopig

Comentário do blog: o jornalista e ministro Franklin Martins está corretíssimo. A concessão de canais de televisão deve ser impedida para políticos. E não apenas as TVs, as concessões de emissoras de rádio também deveriam ser vetadas. O que vemos na Paraíba, por exemplo, são grupos políticos dominando os meios de comunicação. Na verdade, trata-se de uma infeliz realidade nacional.

Incêndios em favelas e o surto racista


Há certos assuntos que revolver pode ser assustador porque quanto mais se cava, mais se encontra. Um desses casos é a questão do racismo e da xenofobia que crescem em São Paulo diante de todos – imprensa, polícia, Executivo, Legislativo, Judiciário e a própria sociedade – sem que providências de verdade sejam adotadas, pois o problema só faz crescer.

É aterrador, o que vem agora. Aliás, leitores anteciparam que certa linha de pensamento sobre o assunto seria abordada neste espaço. Até porque, no antigo blog, o Cidadania.com, fora abordada episodicamente e, em seguida, abandonada por falta de convicção em sua consistência.

Tudo mudou com o surto de racismo que explodiu em São Paulo. É assustador, mas as ações concretas empreendidas contra nordestinos pobres, favelados e negros podem não estar se restringindo só a insultos pelas redes sociais da internet ou a propostas de segregação racial documentadas e “assinadas” pelos autores.

Não se pode dizer, em hipótese alguma, que os cães que ladram são os mesmos que mordem. Pode-se dizer, contudo, que por conta dos que ladram alguns podem estar sendo estimulados a morder.

Uma breve pesquisa na internet revela que em 2009 contabilizaram-se cerca de 14 incêndios em favelas. (11 de janeiro, 11 de fevereiro, 10 de março, 17 de abril, 01 de maio, 26 de junho, 16 e 30 de agosto, 09 e 11 de outubro, 02 e 23 de novembro e 05 e 19 de dezembro). Todos em São Paulo. Em 2010, até setembro, com o incêndio da favela Real Parque, contabilizavam-se 53 incêndios.

Se os dados estiverem errados, será um prazer corrigir. Mas não deve ser muito diferente disso. Ao menos na internet não se acha facilmente dados diferentes. Quem tiver algum reparo ou correção a eles, fará um grande favor informando. Nem que seja para desmontar esta reflexão alarmante.

Mas, enfim, qual é o significado dessa contabilidade macabra? Há algum significado, aliás? É uma questão absurda ou estará ficando cada vez mais evidente que pode – e o que se está dizendo, apenas, é que meramente PODE – haver uma relação entre os fatos surto de racismo e incêndios recordes em favelas?

Parece crível que alguma coisa assim PODE estar acontecendo por conta de indícios mais do que consistentes. Não seria correto, porém, atribuir nomes de culpados. Seria uma irresponsabilidade e quem cometê-la pode comprar uma bela dor de cabeça. Contudo, isso não exclui a necessidade de haver mais investigação do que está havendo.

Aliás, vamos dizer as coisas como elas são: é escandalosa a investigação pífia dos incêndios em favelas tanto quanto escandaliza a difusão de idéias literalmente fascistas que vinham sendo ditas abertamente até que surgisse o caso da tal estudante de Direito cujo nome nem é bom mais citar para não transformar uma garota destrambelhada em bode expiatório.

Aproxima-se um ponto em que se as autoridades locais não demonstrarem maior empenho em investigar e punir os crimes supramencionados alguém terá que provocar o Ministério Público Federal e, obviamente, a Polícia Federal. Tomara que não seja preciso recorrer a essa alternativa em defesa da civilização de um Estado como São Paulo.

Hospital Distrital de Belém poderá ser municipalizado

Um dos assuntos mais comentados nos últimos dias na cidade de Belém é a possibilidade de municipalização do Hospital Distrital Luiz Alexandrino da Silva, antes do término do mandato do governador José Maranhão, ou seja, até o final deste ano.

Segundo informações de amigos ligados ao hospital, a informação que se tem nos bastidores é de que a prefeitura de Belém estaria interessada em municipalizar o estabelecimento de saúde, e que as conversações com o governador já estariam bastante avançadas.

Atualmente, o hospital é vinculado ao governo do estado, e tem como diretora a senhora Luza Macedo, correligionária fiel de José Maranhão. Mas devido à vitória de Ricardo Coutinho, a direção do hospital distrital de Belém tende a mudar, já que se trata de um cargo de confiança.

Vale lembrar, que a administração do referido hospital é a menina dos olhos do ex-prefeito Tarcísio Marcelo. Em 2003, com a eleição do tucano Cássio Cunha Lima para o governo da Paraíba, o ex-prefeito causou a demissão sumária de dezenas de trabalhadores e trabalhadoras do hospital, numa perseguição implacável antes mesmo da posse de Cássio. Na ocasião, a sua esposa e candidata derrota na última eleição municipal, Ana Marly, ficou no posto de diretora do hospital.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

A “desinvenção” do Nordeste.

Por Túlio Muniz*

Em “A invenção do Nordeste”, Durval Muniz dá dimensão histórica de como ao longo dos séculos o Nordeste foi “inventado” como região de coesão imaginária entre diferentes populações que o compõem. Em grande medida, a invenção se deu para justificar a migração de mão de obra barata para outras regiões do país, notadamente para o Sudeste, a partir do século XIX e até hoje, ainda que com outras configurações, geralmente mão de obra especializada em setores determinados (confeitaria natalina, por exemplo). O “retirante” não existe mais há pelo menos seis anos, um dos tantos méritos do Bolsa Família a ser melhor compreendido.

Entretanto, tentar entender ódio e xenofobia que afloram no periódo pós-eleitoral pelo viés regional é um equívoco, e o próprio resultado da votação demonstra isso (Dilma perdeu por pouco no Sul, e, afinal, ganhou no Sudeste, no computo geral). É verdade que subsistem aspectos comuns entre potiguares, cearenses, piauienses, paraibanos e pernambucanos na religiosidade, na culinária e em tantos outros campos, mas daí a atribuir ao “nordestino” uma identidade única há uma distância enorme. E seria um desatino afirmar que paulistas e cariocas tem semelhanças por serem “sudestinos”.

Patente é que a desigualdade sócio-económica se concentra cá pelo “Nordeste”, e são necessários esforços que a reduzam. Cabe aos brasileiros, todos, fortalecer sua diversidade contra a “identidade nacional”, que se deteriora diante do país real que aflora a cada eleição.

*Túlio Muniz, jornalista, Bacharel e Mestre em História pela UFC, doutorando na Universidade de Coimbra-Portugal, nasceu em Minas e é radicado no Ceará há mais de 15 anos.

Escola do MST tem a melhor nota do ENEM em Santa Catarina


Na Escola Semente da Conquista, localizada no assentamento 25 de Maio, em Santa Catarina, estudam 112 filhos de assentados, de 14 a 21 anos. A escola é dirigida por militantes do MST e professores indicados pelos próprios assentados do município de Abelardo Luz, cidade com o maior número de famílias assentadas no estado. São 1418 famílias, morando em 23 assentamentos.

A escola foi destaque no Exame Nacional do Ensino médio (Enem) de 2009, divulgado na pagina oficial do Enem. Ocupou a primeira posição no município, com uma nota de 505,69. Para muitos, esses dados não são mais do que um conjunto de números que indicam certo resultado, mas para nós, que vivemos neste espaço social, é uma grande conquista.

No entanto, essa conquista, histórica para uma instituição de ensino do campo, ficou fora da atenção da mídia, como também pouco reconhecida pelas autoridades políticas de nosso estado. A engrenagem ideológica sustentada pela mídia e pelas elites rejeita todas as formas de protagonismo popular, especialmente quando esses sujeitos demonstram, na prática, que é possível outro modelo de educação.

A Escola Semente da Conquista é sinal de luta contra o sistema que nada faz contra os índices de analfabetismo e do êxodo rural. Vale destacar que vivemos numa sociedade em que as melhores bibliotecas, cinemas, teatros são Mais de 100 filhos de assentados estudam na Escola para uma pequena elite. Espaços culturais são direitos universais, mas que são realidade para poucos.

E mesmo com todas as dificuldades a Escola Semente da Conquista foi destaque entre as escolas do Município. Este fato não é apenas mérito dos educandos, mas sim de uma proposta pedagógica do MST, que tem na sua essência a formação de novos homens e mulheres, sujeitos do seu processo histórico em construção e em constante aprendizado.


O PiG e o Serra odeiam o ENEM por causa dos pobres

Na foto, Serra finge que beija a mão da pobre mulher pobre

O Estadão de hoje dedica a capa e duas páginas – A15 e A16 a desmoralizar o ENEM.

Uma desmoralização arrasadora.

É porque 0,04% dos alunos VOLUNTARIAMENTE inscritos na prova talvez venham a refazê-la, por causa de uma troca do cabeçalho de alguns cartões de resposta.

0,04% !

Que horror!

Foram 4,6 milhões estudantes inscritos e talvez 2 mil tenham a possibilidade de refazer a prova.

Ontem, o UOL e a Folhaonline bradaram o dia inteiro contra a “inépcia” do ENEM.

A Folha (**), se entende.

Ano passado, as provas vazaram da gráfica da Folha, que foi devidamente afastada da concorrência deste ano.

O Estadão se acha na obrigação, todo ano, de desmoralizar o ENEM.

Como fez no ano passado, com a divulgação do vazamento.

Por que o Estadão, a Folha (**) e o Serra são contra o ENEM ?

Ano passado, com o vazamento na gráfica da Folha, o Serra, célere, tirou as universidades de São Paulo do ENEM – para acentuar o “fracasso” do Governo Lula.

Qual é o problema deles com o ENEM ?

O Governo Fernando Henrique instituiu o ENEM para copiar o SAT americano: o vestibular único em todo o país, para facilitar o acesso às universidades federais e o deslocamento de estudantes pelo país afora.

O que tem a vantagem de baratear dramaticamente o sistema.

Antes – como em São Paulo, hoje – cada “coronel” faz o seu vestibular e estimula a iniciativa privada – com os serviços do vestibular e os cursinhos o Di Gênio.

De Fernando Henrique para cá, o ENEM cresceu 30 vezes !

30 vezes, amigo navegante.

Saiu de 157 mil inscritos em 98 para 4,6 milhões de hoje.

É sempre assim.

O Bolsa Família da D. Ruth atendia quatro famílias.

O do Lula, que virou “Bolsa Esmola”, segundo Mônica Serra, a grande estadista chileno-paulista, atende 40 milhões.

O que é o ENEM ?

É o passaporte do pobre à universidade pública.

É por isso que a Folha, o Estado e o Serra odeiam o ENEM.

Porque esse negócio de pobre estudar é um problema.

Fica com mania de grandeza, de autonomia.

Pensa que pode mandar no seu destino.

E não acredita mais na fita adesiva do “perito” Molina.

Isso é um perigo.

Pobre é para ficar na senzala.

50 universidades públicas federais aderiram ao ENEM.

Isso significa que 47 mil vagas em universidades federais dependem do resultado do ENEM.

Em 2004, um milhão de estudantes se inscreveu no ENEM.

Aí, o Lula e o Ministro Haddad resolveram estabelecer o ENEM como critério para entrar no ProUni (para a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – não dizer que o ProUni é a “faculdade de pobre burro”).

Sabe o que aconteceu, amigo navegante ?

O ENEM passou de um ano para o outro de um milhão para 2,9 milhões de inscritos.

Quanto pobre !

Para o ano que vem, o ministro Haddad estabeleceu que o ENEM também será critério para receber financiamento do FIES.

Vai ser outro horror !

Mais pobre inscrito no ENEM para pagar a faculdade com financiamento público.

Um horror !

Tudo público.

ENEM, faculdade, financiamento …

“Público” quer dizer “de todos”.

Amigo navegante, sabe qual foi o contingente nacional que mais cresceu entre os inscritos no ENEM ?

Agora é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar.

Foi o Nordeste !

Que horror !

Já imaginou, amigo navegante ?

Nordestino pobre com diploma de engenheiro ?

Nordestina pobre com diploma de médica ?

Vai faltar pedreiro.

Empregada doméstica.

Aí é que a elite branca – e separatista, no caso de São Paulo – vai se estrebuchar mesmo.

Paulo Henrique Amorim

(*) Em nenhuma democracia séria do mundo, jornais conservadores, de baixa qualidade técnica e até sensacionalistas, e uma única rede de televisão têm a importância que têm no Brasil. Eles se transformaram num partido político – o PiG, Partido da Imprensa Golpista.

(**) Folha é um jornal que não se deve deixar a avó ler, porque publica palavrões. Além disso, Folha é aquele jornal que entrevista Daniel Dantas DEPOIS de condenado e pergunta o que ele achou da investigação; da “ditabranda”; da ficha falsa da Dilma; que veste FHC com o manto de “bom caráter”, porque, depois de 18 anos, reconheceu um filho; que matou o Tuma e depois o ressuscitou; e que é o que é, porque o dono é o que é; nos anos militares, a Folha emprestava carros de reportagem aos torturadores.

Evento defende respeito a cultos africanos na Paraíba


Comunidades de Religiões de Matriz Africana, Organizações Negras, Terreiros de Candomblé, Umbanda e Jurema realizaram um evento para reivindicar a paz e dizer não a violência, a intolerância religiosa, o racismo, o preconceito e a discriminação. E ampliar informações sobre o significado e importância das Religiões de Matriz Africana.

O Seminário de Difusão das Religiões de Matriz Africana e da 1ª Caminhada Pela Liberdade Religiosa e Resistência: Jurema, Umbanda e Candomblé na Paraíba; teve início na última sexta-feira no Hotel do Caju, Avenida Oceano Atlântico, Praia de Intermares em João Pessoa.

O evento, contou com a presença de Pais e Mães de Santos de diversas comunidades Religiosas, além da participação de pessoas de diversos municípios do estado.

Esse é um momento muito significativo para o povo de santo e para todas as pessoas que lutam pelo fim do racismo e pelo respeito à diversidade religiosa, pois é um evento que visa fortalecer a luta por respeito e dar visibilidade as Religiões de Matriz Africana no Estado da Paraíba.

O encontro finalizou-se com uma caminhada na manhã deste domingo (7), saindo do Busto de Tamandaré até a estátua de Iemanjá na capital paraibana.

Fonte: Parlamentopb
Com o editor do blog

domingo, 7 de novembro de 2010

FMI: Dilma governará 7ª maior economia mundial


Segundo a mais recente projeção do Fundo Monetário Internacional (FMI), a presidente eleita, Dilma Rousseff, vai governar a sétima maior economia mundial – posto que o Brasil alcançará em 2011.

Esta não será a primeira vez que o país terá chegado lá. A última foi em meados dos anos 90. Mas o Brasil só sustentou a sétima posição por dois anos, indo ladeira abaixo a partir de 1996 até baixar ao 12º lugar em 2002.

Desde então, a volatilidade do crescimento econômico do país diminuiu, dando lugar à maior estabilidade na trajetória de expansão econômica.

O resultado é que a projeção do FMI revisada em outubro indica que o país permanecerá no posto de sétima maior economia até, pelo menos, 2015, último ano para o qual há previsões.

Nos últimos anos, a economia brasileira ultrapassou em tamanho a canadense e a espanhola. Em 2010, quase empatou com a Itália.

"O Brasil está ocupando a posição de países desenvolvidos e, com isso, cresce seu prestígio nas negociações internacionais", diz Ernesto Lozardo, professor de economia da Eaesp-FGV e autor do livro "Globalização - A Certeza Imprevisível das Nações".

A contrapartida é resumida por Fernando Cardim, professor do Instituto de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro: "As responsabilidades do país continuarão aumentando e o novo governo terá de mostrar se está preparado para isso".

De acordo com especialistas, para que o peso econômico do Brasil continue se traduzindo em crescente voz política, Dilma terá de consolidar os avanços alcançados pela política externa de Lula, como a posição de maior destaque nos fóruns globais.

Informações Folha.com

Entrevista com Tânia Bacelar


Há uma imagem deformada do Nordeste

A professora Tânia Bacelar nem imaginava. Mas, ao escrever o artigo ´O voto do Nordeste: para além do preconceito`, publicado na revista Nordeste e reproduzido por uma infinidade de blogs Brasil afora, antecipou uma resposta – e que resposta – à velha tese que motivou uma nova onda de ataques aos nascidos na área compreendida entre o Maranhão e a Bahia. O texto rebate com fatos e análises o conceito preconcebido de que os nordestinos são um peso para o país e que Dilma Rousseff (PT) só foi eleita presidente porque os eleitores da região votaram em troca do Bolsa Família. Nesta entrevista, Bacelar, doutora em economia e docente do departamento de Geografia da UFPE, aprofunda sua avaliação sobre os números das eleições no Nordeste. Diz que nos últimos oito anos, a região passou a receber investimentos em áreas estratégicas e que o resultado dessa ´atenção`, é crescimento, movimentação da economia, emprego, oportunidades.

O seu artigo responde à manifestação que ocupou o Twitter na semana passada sugerindo morte aos nordestinos por conta da vitória de Dilma. Como a senhora avalia essa situação?

Acho que esse debate reflete que existe um preconceito realmente e que há uma imagem deformada do Nordeste, principalmente no Sudeste e no Sul. Uma imagem de que o Nordeste é uma região de miséria, que é uma carga, como se não tivesse potencialidades. Isso reflete, primeiro, o desconhecimento da história do país. O Nordeste é o lastro econômico, cultural e político do Brasil. Mas num determinado momento dessa história, os investimentos e a dinâmica se concentraram no Sudeste e o Nordeste perdeu o trem da industrialização lá no século 20.

Quais perdas o país pode ter com posturas desse tipo?

A gente pode perder um dos aspectos pelos quais o país é admirado. Quem já viveu no exterior sabe que uma das características que tornam a nossa sociedade admirada lá fora é a capacidade de conviver com a diferença.

Em que áreas estão os potenciais do Nordeste?

O governo federal retomou o crescimento das universidades públicas. Fez quatro universidades na região. Cidades médias, como Petrolina (PE) e Mossoró (RN), não tinham universidades públicas. As pessoas têm potencial para se desenvolver, mas não têm oferta de oportunidade. Acho que a gente deve discutir onde devemos colocar os novos investimentos e o Nordeste já mostrou que pode dar uma resposta positiva com o pouquinho de mudança que já aconteceu nessa década. É errado achar que tudo o que é defesa de São Paulo é defesa do Brasil e tudo o que é defesa de qualquer outro lugar é ´defesinha` regional. São Paulo é muito importante mas não representa o Brasil. O Brasil é muito mais. A gente precisa balizar melhor esse debate sem deixar de reconhecer a importância de São Paulo. Mas não podemos caricaturar os outros de ser peso, de não ter com que contribuir.

O presidente Lula foi corajoso ao mudar o foco dos investimentos?

Lula teve um atributo muito interessante. Perdeu várias eleições, levou muito tempo se preparando para ser presidente do país e fez as tais caravanas. Eu atribuo essa leitura que ele tem do Brasil à chance que ele teve de conhecer profundamente o Brasil inteiro. Isso muda a cabeça.

Quem votou em Dilma aposta na continuidade do governo. Pelos discursos proferidos até agora por ela a senhora acredita que as políticas de investimento no Nordeste serão mantidas?

Tenho me surpreendido positivamente com ela. Por exemplo, o discurso feito no momento em que ela recebeu a notícia que tinha vencido, considero muito bom. Ela começa falando das mulheres, depois assume o compromisso com a eliminação da pobreza extrema. Diz também ter compromisso com os pequenos empreendedores do Brasil e assume isso. Achei muito bonito, depois de falar da erradicação da miséria, ela ter se lembrado dos pequenos empreendedores. O Nordeste está cheio deles.

As oligarquias deram sua contribuição para o enraizamento desse preconceito, não?

Parte da explicação vem das oligarquias. Para as antigas, ainda bem que elas estão morrendo e perdendo eleitoralmente. Os resultados dessa eleição são um novo baque. É importante lembrar que elas não só existem no Nordeste. Santa Catarina é um ´brilho` de oligarquias. No discurso delas não interessava mostrar potencial. Porque elas se locupletavam da miséria. O discurso reproduzia a miséria. Elas ajudaram a criar o preconceito.

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