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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Nos Estados Unidos: Mais de 42 milhões de americanos dependem do Bolsa Família (food stamps) para comer


WSJ: 42.389.619 de americanos dependem do Bolsa Família para comer

In U.S., 14% Rely on Food Stamps


Um grande número de domicílios americanos ainda depende da assistência do governo para comprar comida, no momento em que a recessão continua a castigar famílias.

O número dos que recebem o cupom de comida [food stamps, a versão americana do Bolsa Família] cresceu em agosto, as crianças tiveram acesso a milhões de almoços gratuitos e quase cinco milhões de mães de baixa renda pediram ajuda ao programa de nutrição governamental para mulheres e crianças.

Foram 42.389.619 os americanos que receberam food stamps em agosto, um aumento de 17% em relação a um ano atrás, de acordo com o Departamento de Agricultura, que acompanha as estatísticas. O número cresceu 58,5% desde agosto de 2007, antes do início da recessão.

Em números proporcionais, Washington DC [a capital dos Estados Unidos] tem o maior número de residentes recebendo food stamps: mais de um quinto, 21,1%, coletaram assistência em agosto. Washington foi seguida pelo Mississipi, onde 20,1% dos moradores receberam food stamps, e pelo Tennessee, onde 20% dos residentes buscaram ajuda do programa de nutrição.

Idaho teve o maior aumento no número de recipientes no ano passado. O número de pessoas que receberam food stamps no estado subiu 38,8%, mas o número absoluto ainda é pequeno. Apenas 211.883 residentes de Idaho coletaram os cupons em agosto.

O benefício nacional médio por pessoa foi de 133 dólares e 90 centavos em agosto. Por domicílio, foi de 287 dólares e 82 centavos.

Os cupons se tornaram um refúgio para os trabalhadores que perderam emprego, particularmente entre os estadunidenses que já exauriram os benefícios do seguro-desemprego. Filas nos supermercados à meia-noite do primeiro dia do mês demonstram que, em muitos casos, o benefício não está cobrindo a necessidade das famílias e elas correm antes da chegada do próximo cheque.

Mesmo durante as férias de verão as crianças retornaram às escolas para tirar proveito da merenda, onde ela estava disponível. Cerca de 195 milhões de almoços foram servidos em agosto e 58,9% deles foram de graça. Outros 8,4% foram a preço reduzido. Este número vai aumentar quando os dados do outono forem divulgados já que as crianças estarão de volta às escolas. Em setembro passado, por exemplo, mais de 590 milhões de almoços foram servidos, quase 64% de graça ou com preço reduzido.

Crianças cujas famílias tem renda igual ou até 130% acima da linha da pobreza — 28 mil e 665 dólares por ano para uma família de quatro pessoas — podem ter acesso a almoços gratuitos. As famílias que tem renda entre 130% a 185% acima da linha da pobreza — 40 mil e 793 dólares para uma família de quatro — podem receber refeições a preço reduzido, não mais que 40 centavos de dólar de desconto.

Ps do Viomundo: Texto dedicado àqueles que acham chique os programas sociais na França, na Alemanha e nos Estados Unidos, mas tem “horror!” dos programas sociais brasileiros.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

Nações Unidas reiteram condenação do bloqueio dos EUA a Cuba


A Assembleia Geral de Nações Unidas emitiu nesta terça-feira (26) sua décima nona condenação contra o bloqueio imposto pelos Estados Unidos a Cuba há 48 anos e exigiu seu levantamento.O repúdio ao cerco imposto pelo imperialismo foi sancionado pelo plenário do maior foro da comunidade internacional por 187 votos a favor, dois contra e três abstenções.

As votações contra o bloqueio começaram em 24 novembro de 1992 quando a 47ª sessão ordinária do órgão aprovou por 59 votos a favor, três contra e 71 abstenções a primeira resolução nesse sentido.

Desde então a Assembleia tem aprovado a cada ano uma resolução intitulada “Necessidade de pôr fim ao bloqueio econômico, comercial e financeiro imposto pelos Estados Unidos da América contra Cuba”. Arrogante, a Casa Branca faz ouvidos moucos ao clamor do mundo e mantém o criminoso bloqueio, que traz enormes prejuízos à Ilha, com o objetivo malfadado de punir e derrotar a revolução.

Com informações da Prensa Latina

Do Vermelho

terça-feira, 26 de outubro de 2010

Os segredos internacionais por trás da “Revolução do Ódio” no Brasil


Autora: Jussara Seixas

Por Mauro Carrara

Esse sistema é preferencialmente utilizado para disseminar peças de calúnia e difamação contra Dilma Rousseff, Luiz Inácio Lula da Silva e qualquer figura pública que ouse tomar partido do projeto da esquerda no Brasil. Funcionando também nas redes sociais, essa é uma das principais frentes da “Revolução do Ódio” em curso no país.

Até o primeiro turno da eleição presidencial, havia mais de 650 militantes, quase todos bem remunerados, para difundir material venenoso contra o governo federal. Neste segundo turno, essa super tropa de terrorismo virtual, recrutada por Eduardo Graeff, conta com mais de 1.000 militantes.

Esse, no entanto, é apenas um braço do movimento de golpismo midiático financiado por entidades ultra-conservadoras, sobretudo norte-americanas, empenhadas em desestabilizar movimentos de esquerda pelo mundo e assumir o controle das fontes de riqueza nos países emergentes.

O enigma das “revoluções coloridas”

Há 15 anos, a Internet vem sendo utilizada como ferramenta de sabotagem por esses grupos. Dentre eles, destacam-se o poderoso National Endowment for Democracy (NED), a United States Agency for International Development (USAID) e inúmeras entidades parceiras, como a Fundação Soros.

O NED, por exemplo, financia várias organizações-satélite, como o World Movement for Democracy, o International Fórum for Democratic Studies e o Reagan-Fascell Fellowship Program, que atuam direta ou indiretamente em todos os continentes.

Grupos ligados ao NED, por exemplo, tiveram comprovada atuação nos episódios políticos que desestabilizaram a coalizão de centro-esquerda na Itália, em 2007 e 2008. Acabaram derrubando o primeiro-ministro Romano Prodi e, em seguida, reconduziram ao poder o magnata Silvio Berlusconi.

A ação envolveu treinamento de jornalistas, divulgação massiva de boatos na Internet, dirigidos sobretudo aos jovens, e distribuição seletiva de caríssimos “estímulos” a senadores de centro.

Mas, afinal, o que é o NED?

Criada em 1983, por iniciativa do presidente estadunidense Ronald Reagan, trata-se oficialmente de uma entidade privada, mas abastecida de forma majoritária por fundos públicos.

Ainda que seus dirigentes a qualifiquem como um centro de incentivo à democracia, trabalha sempre no apoio a movimentos de direita, com forte ênfase no liberalismo, no individualismo, no privatismo e no pressuposto de que os interesses do mercado devem prevalecer sobre os interesses sociais.

terça-feira, 19 de outubro de 2010

FHC e representantes da Globo fazem reunião com investidores estrangeiros e prometem a privatização da Petrobras, do Banco do Brasil e de Itaipu


Por Laerte Braga

O Hotel das Cataratas em Foz do Iguaçu está abrigando um dos mais sórdidos negócios de toda a história recente do Brasil. Fernando Henrique Cardoso e cento e cinqüenta empresários estrangeiros estão acertando os ponteiros para a venda do País caso José FHC Serra seja eleito presidente da República.

O encontro é patrocinado pela GLOBO através de Raphael Eckmamm, da GLOBOSAT e está cercado de toda a segurança possível para evitar vazamentos. Em troca da venda da PETROBRAS, do BANCO DO BRASIL e de ITAIPU, o ex-presidente está pedindo um volume maior de contribuição dos empresários, pressão sobre seus parceiros brasileiros e garantindo que a mídia privada deve provocar falsos escândalos contra Dilma e Lula até o dia das eleições para intimidar e coagir o eleitorado brasileiro.

O encontro é desdobramento da ação do governo dos EUA temeroso que a eleição de Dilma Rousseff mantenha a política externa independente do governo Lula e as opções feitas pelo Brasil nos últimos oito anos, em desacordo com as políticas de dominação que os EUA impõem a países latino-americanos como a Colômbia.

A forma de vender é simples. FHC negocia por baixo dos panos, longe dos olhos da mídia privada e José FHC Serra tenta passar a imagem de político sério, preocupado com os destinos do País num discurso recheado de denúncias vazias e inconsequentes.

Às vésperas das eleições o embaixador dos Estados Unidos tentou de todas as formas convencer o presidente Lula a alinhar o Brasil com os EUA e ofereceu vantagens como colaboração na produção de combustíveis renováveis e consentiram que aqui se estabelecesse uma divisão da BOEING, além de uma série de acordos com indústrias de defesa brasileira, incluindo a comissão de duzentos aviões tucanos para a força aérea dos EUA.

Lula não aceitou.

A equipe do embaixador dos EUA no Brasil está tentando cumprir a missão de ajudar “novas forças” e que sejam dóceis aos interesses de seu país. FHC é o encarregado de aliciar empresários brasileiros e conduzir empresários estrangeiros oferecendo em troca a PETROBRAS, o BANCO DO BRASIL e ITAIPU e todo um processo de subordinação aos EUA.

Os planos incluem a abertura de dez novos consulados norte-americanos no Brasil, principalmente em cidades como Manaus, já que a Amazônia é um dos alvos preferidos e estratégicos dos EUA.

Leia a matéria completa AQUI

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Americana que foi solta no Irã agradece ajuda do Brasil em sua libertação

Se José Serra fosse o presidente do Brasil, a americana teria morrido. Serra não quer nenhum tipo de relação com o Irã.



A americana Sarah Shourd, que ficou 410 dias presa no Irã acusada de espionagem, se encontrou ontem com o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, para agradecê-lo pelos apelos que o Brasil fez por sua libertação, que aconteceu na semana passada.

Ela se reuniu com Amorim, que está em Nova York para os debates da Assembleia Geral da ONU, também para pedir que o país continue a interceder pela soltura dos outros dois americanos, Josh Fattal e de Shane Bauer - seu noivo. Ambos foram presos ao lado dela em 31 de julho do ano passado.

"Agradeço pela oportunidade de falar com o ministro, pelo interesse e pelo envolvimento do Brasil. Mas não posso comentar nada além disso", disse Sarah, ao final do encontro de meia hora com Amorim, na sede da Missão do Brasil na ONU. Ela estava acompanhada de sua mãe e de parentes de Fattal.

Alex Fattal, irmão de um dos americanos ainda detidos, afirmou esperar que o Brasil possa continuar "falando constantemente com os iranianos".

"É uma grande ajuda, sabemos disso", afirmou, em português, depois de explicar que já morou em Belém (Pará).

Amorim foi cauteloso ao mencionar o peso das intervenções brasileiras na soltura de Sarah. Ele disse, no entanto, que a secretária de Estado americana, Hillary Clinton, o agradeceu pela libertação.

Questionado se o governo americano havia se manifestado para agradecer ao Brasil, o ministro afirmou que, ao encontrar-se com Hillary, anteontem, disse a ela: "Está contente que soltamos... que saiu um dos hikers [os três faziam uma caminhada quando foram presos]?".Segundo Amorim, Hillary respondeu com um "muito obrigada!".

APELO

O ministro disse, no entanto, que "a gente não deve ficar tomando os créditos para si", embora tenha enviado uma mensagem a seu colega iraniano, Manouchehr Mottaki, "agradecendo que as ponderações do presidente Lula tenham sido escutadas".

Amorim afirmou ainda que o Brasil continuará trabalhando pela libertação dos outros presos. "É uma situação que não está resolvida. Como a própria moça disse, ela só se sente um terço livre, porque o noivo dela e o amigo ainda estão lá."

Ele disse ver a soltura de Sarah como um "sinal de que há uma abertura".

Antes do encontro, Amorim participou de reunião ministerial dos Brics (grupo que reúne Brasil, Rússia, China e Índia).

Ao fim do encontro, o ministro ressaltou que, "no ano que vem, estaremos todos no Conselho de Segurança, os quatro, então será também uma oportunidade de coordenar posições. A Índia concorre a uma vaga como membro não permanente do conselho, mesma posição que o Brasil ainda ocupará em 2011. Na Folha dos tucanos.

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Brasil ultrapassa os Estados Unidos entre os países preferidos para investimentos. Calado, Serra!


Brasil no pódio do investimento. Calado, Serra!

Brizola Neto

O Serra perdeu uma boa oportunidade de ficar calado. Na entrevista que deu hoje (6) ao Estadão , quis negar o crescimento econômico do Brasil, confirmado por todos os indicadores, e disse que apenas China e Índia surfaram na crise. E disse que Dilma “parece não ter estudado economia”

Pois a Conferência da ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad) divulgou hoje uma pesquisa feita anualmente com 236 empresas multinacionais e 116 agências de promoção de investimentos pelo mundo que mostra o Brasil como o terceiro país preferido para investimentos até 2012, à frente dos Estados Unidos e de países da Europa. O gráfico está aí acima e você pode clicar para ampliar e conferir.

E o que coloca o Brasil no pódio do destino dos investimentos mundiais é o crescimento do mercado doméstico, obra do governo Lula, e o interesse pelo setor de commodities, como o de mineração, que infelizmente não está mais em poder do Estado, pois sua principal companhia, a Vale, foi vendida a preço de banana no governo de Fernando Henrique Cardoso, com empenho pessoal de Serra.

Como mostra o correspondente do Estadão em Genebra, as multinacionais apostam em alta do fluxo de investimentos no mundo nos próximos dois anos, voltado preferencialmente para os Brics.

Das 236 multinacionais que participaram do levantamento, mais de cem apontaram a China como prioridade em seus investimentos. Índia e Brasil aparecem praticamente empatados, com uma ligeira preferência para Nova Delhi, destino preferido de 72 empresas, contra 70 exatas que optam pelo Brasil.

Em 2009, o Brasil recebeu US$ 25,9 bilhões em investimento externo direto, e nos primeiros sete meses de 2010 recebeu US$ 14,7 bilhões, segundo o Banco Central.Isso apesar de nossa grande imprensa ter previsto o caos quando, há um ano, a entradfa de capital externo foi taxada em míseros 2%. Pouco, muito pouco, como afirmei aqui.

A ONU estima que o volume do fluxo mundial de investimentos pode chegar a US$ 1,5 trilhão em 2011, e variar de US$ 1,6 trilhão a US$ 2 trilhões em 2012. Os EUA cairam para a quarta posição no interesse de investimentos das multinacionais, e a Rússia é a quinta colocada.

Quem parece não entender de economia é o Serrinha “não pode mais de despeito”.

sábado, 28 de agosto de 2010

O que está havendo na Colômbia?

Do Nassif Online
Tomás Rosa Bueno

Algo muito estranho está acontecendo na Colômbia. Depois da derradeira bufonaria uribiana, "acusando" a Venezuela de abrigar guerrilheiros colombianos no seu território - à qual aderiram alegre e entusiasticamente os americanos e os nossos bufões tupiniquins -, o presidente recém-empossado parece estar operando uma reviravolta total nas relações da Colômbia com os EUA, com as FARC, com os vizinhos e especialmente com o Brasil e a Venezuela.

Nem bem tomou posse, o novo presidente declarou que a sua prioridade era normalizar as relações com a Colômbia, parou de falar em guerrilheiros em território venezuelano e aceitou a mediação da Unasul no conflito com o vizinho, encontrando-se com o presidente venezuelano na cidade venezuelana onde nasceu o Simón Bolívar e trocando rasgados elogios com o principal inimigo do seu antecessor. Em seguida, declarou-se disposto a abrir negociações com as FARC - coisa que o Uribe se negava a fazer - e, logo de um atentado à bomba que matou nove pessoas e foi atribuído às FARC pelos suspeitos de sempre, o líder do partido do governo no congresso colombiano acusou a extrema-direita e os paramilitares de serem os autores do massacre, numa tentativa de sabotar o diálogo com a guerrilha.

Como se não bastasse, a Corte Constitucional colombiana declarou inconstitucional o acordo militar Colombia-EUA que permitia aos americanos usar sete bases em território colombiano para atividades nunca esclarecidas, e o Juan Manuel Santos, em vez de protestar e defender a validade do acordo, declarou que o vai encaminhar ao congresso para discussão aberta, durante a qual todos os termos do acordo que tanta celeuma causou na América Latina e principalmente com a Venezuela serão discutidos; isto efetivamente liquida o acordo atual, que deixa de ter validade até ser votado, e elimina toda possibilidade de cláusulas secretas em qualquer eventual acordo no futuro.

Ontem, rompendo uma tradição que já se tornara quase parte do protocolo oficial, declarou que a sua primeira viagem internacional como presidente será ao Brasil, e não aos Estados Unidos. E anunciou ao mesmo tempo que receberá o presidente Chávez da Venezuela em Bogotá na próxima terça-feira, em visita oficial.

Finalmente, hoje, depois de cinco dias de negociações bilaterais frenéticas entre a Venezuela e a Colômbia, os chanceleres dos dois países anunciaram um pacote de quinze medidas de normalização das relações que inclui, entre outras coisas impensáveis há dez dias, operações conjuntas da Colômbia e da Venezuela contra a guerrilha e os paramilitares na zona fronteiriça.

Não tenho elementos para formar uma opinião definitiva sobre os motivos e as reais intenções do Juan Manuel Santos. Porém, se a tendência indicada nas suas primeiras ações de governo se confirmar e se consolidar, podemos estar assistindo ao início da pacificação da Colômbia e das suas relações com a América Latina, trazendo esse grande país ao convívio pacífico e frutífero com a comunidade das nações sul-americanas.
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PITACO DO ContrapontoPIG

Será que o sonho de ver Colômbia e Venezuela em paz vai se realizar?

Será que nós, sulamericanos, podemos pensar numa verdadeira integração ?

Vamos esperar os próximos passos, principalmente dos EUA.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Aliados dos Estados Unidos: Presidente Reagan recebe líderes talibãs na Casa Branca

Os "decepadores de narizes femininos", como estão sendo acusados hoje pela grande (e minúscula) mídia, ouvem a oração edificante de Reagan, e quase nem acreditam. Veja o vídeo acima.

Foi no ano de 1985. Os talibãs eram então chamados de "mujahedins". Hoje, a mídia estadunidense (e os opinionistas periféricos) emana ódio de raça contra os que já foram agraciados - pelo presidente Reagan - de "cavalheiros", de "lutadores da liberdade" e de serem o "equivalente moral dos pais fundadores da América".

Não é preciso dizer que depois dessa honrosa recepção, os líderes das tribos afegãs que combatiam os invasores soviéticos (da ex-URSS) foram presenteados com muito dinheiro, recursos logísticos, especialistas, e armamentos modernos. Foi graças aos mísseis soviéticos que os mujahedins/talibãs conseguiram derrotar os invasores da já combalida União Soviética. Alguém perguntará: mísseis soviéticos? Como assim? É que a Casa Branca, a diplomacia e o serviço secreto optaram por não bater de frente com Moscou, portanto, compravam armamentos e helicópteros no mercado negro (ou pior, através das máfias de armas) para entregar aos rebeldes afegãos.

Em fevereiro de 1989, os soviéticos se retiram definitivamente do Afeganistão, completamente desmoralizados. Esse fato acelerou o desmoronamento da União Soviética, que se desfaz em Alma Ata (cidade do Cazaquistão onde Trostski foi exilado por Stalin em janeiro de 1928) no dia 21 de dezembro de 1991.

O neoliberalismo - que agora está nos estertores - era presenteado com o seu maior trunfo propagandístico e incentivo ideológico: a derrota humilhante do dogma stalinista do planejamento econômico e do capitalismo de Estado - astuciosamente denominado de socialismo.

Muitos sustentam que a queda da URSS foi o primeiro sinal da grande crise do capital - a teoria do elo mais fraco - que se desdobrou de fato anos depois, e hoje encontra-se no seu momento mais dramático, com a depressão generalizada na Europa, especialmente no Leste.

Segundo o economista, pesquisador da Universidade de Viena, que ontem tivemos o privilégio de ouvir em palestra na FEE, Joachim Beker, a "atual crise do Leste europeu faz os números da grande depressão de 1929 parecerem grandezas liliputianas, face a gravidade das suas economias absolutamente quebradas e sem nenhuma perspectiva de futuro".
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Copiado do Com Texto Livre

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Enquanto Lula promove o diálogo entre a Venezuela e a Colômbia, imprensa brasileira segue orientação de Hillary Clinton e pede guerra


Colômbia X Venezuela: Lula aplicou golpe preciso em Hillary, antes que ela metesse os pés pelas mãos

Vamos combinar o seguinte – interessa muitíssimo aos Estados Unidos fincar os pés definitivamente na região amazônica, e a Colômbia, ultimamente, tem sido o melhor caminho. Com a justificativa do combate ao narcotráfico, os Estados Unidos transformaram a Colômbia no terceiro maior destino de suas verbas entre todos os países do mundo. Com a presença longa e em grande extensão dos homens das FARC, encontraram outra boa desculpa para impor suas bases militares próximas às fronteiras com o Brasil. O estilo verborrágico de Chávez também serviu de desculpa e Uribe foi um aliado de mão-cheia.

Quando tudo indicava que a Colômbia poderia se transformar em uma espécie 51º estado americano (exageros à parte...), a diplomacia brasileira entrou em campo, através de Lula, para defender nossos interesses geopolíticos.

A capacidade política de Lula permitiu fazer os países vizinhos compreenderem que era importante abandonarem o papel de meros pretextos para se transformarem em atores soberanos de uma nova América Latina. Como assinala o editorial do jornal mexicano La Jornada, Lula “indicó que cuanto más pronto se establezca la armonía entre Caracas y Bogotá, ‘más van a ganar los pueblos’ de ambas naciones, y convocó a un acercamiento entre el mandatario venezolano Hugo Chávez y el presidente electo de Colombia, Juan Manuel Santos, a quien pidió ‘ejercer su mandato y negociar para alcanzar la paz’". Segundo a agência EFE, “O embaixador colombiano em Buenos Aires, Álvaro García Jiménez, disse neste domingo que a intervenção do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ‘foi fundamental’ em busca de uma solução ao conflito entre a Colômbia e a Venezuela”.

O editorial do La Jornada ainda conclui que “ante las posturas expresadas por Lula, es claro que Brasil desempeña, hoy día, un papel lúcido y constructivo en la solución de tensiones en el ámbito diplomático. La condición de interlocutor central y creíble que ha adquirido el gobernante brasileño coloca a su país en la posición de incidir positivamente en conflictos diversos que se desarrollan dentro y fuera del continente, y cabe esperar que lo consiga”.

Lula e a diplomacia do novo Brasil deram grande passo para uma nova América Latina, unida, pacifista, disposta a resolver seus problemas sociais para avançar com altivez no cenário mundial. O estilo Hillary perdeu esse round e, se continuarmos com o pé firme nesse caminho, perderá de vez essa batalha geopolítica.

segunda-feira, 31 de maio de 2010

A saudade do servo na velha diplomacia brasileira

Copiado do blog Terra Brasilis

Por Leonardo Boff

O filósofo F. Hegel em sua Fenomenologia do Espírito analisou detalhadamente a dialética do senhor e do servo. O senhor se torna tanto mais senhor quanto mais o servo internaliza em si o senhor, o que aprofunda ainda mais seu estado de servo. A mesma dialética identificou Paulo Freire na relação oprimido-opressor em sua clássica obra Pedagogia do oprimido. Com humor comentou Frei Betto: "em cada cabeça de oprimido há uma placa virtual que diz: hospedaria de opressor". Quer dizer, o opressor hospeda em si oprimido e é exatamente isso que o faz oprimido. A libertação se realiza quando o oprimido extrojeta o opressor e ai começa então uma nova história na qual não haverá mais oprimido e opressor mas o cidadão livre.

Escrevo isso a propósito de nossa imprensa comercial, os grandes jornais do Rio, de São Paulo e de Porto Alegre, com referência à política externa do governo Lula no seu afã de mediar junto com o governo turco um acordo pacífico com o Irã a respeito do enriquecimento de urânio para fins não militares. Ler as opiniões emitidas por estes jornais, seja em editoriais seja por seus articulistas, alguns deles, embaixadores da velha guarda, reféns do tempo da guerra-fria, na lógica de amigo-inimigo é simplesmente estarrecedor. O Globo fala em "suicídio diplomático"(24/05) para referir apenas um título até suave. Bem que poderiam colocar como sub-cabeçalho de seus jornais:"Sucursal do Império" pois sua voz é mais eco da voz do senhor imperial do que a voz do jornalismo que objetivamente informa e honestamente opina. Outros, como o Jornal do Brasil, tem seguido uma linha de objetividade, fornecendo os dados principais para os leitores fazerem sua apreciação.

As opiniões revelam pessoas que têm saudades deste senhor imperial internalizado, de quem se comportam como súcubos. Não admitem que o Brasil de Lula ganhe relevância mundial e se transforme num ator político importante como o repetiu, há pouco, no Brasil, o Secretário Geral da ONU, Ban-Ki-moon. Querem vê-lo no lugar que lhe cabe: na periferia colonial, alinhado ao patrão imperial, qual cão amestrado e vira-lata. Posso imaginar o quanto os donos desses jornais sofrem ao ter que aceitar que o Brasil nunca poderá ser o que gostariam que fosse: um Estado-agregado como é Hawai e Porto-Rico. Como não há jeito, a maneira então de atender à voz do senhor internalizado, é difamar, ridicularizar e desqualificar, de forma até antipatriótica, a iniciativa e a pessoa do Presidente. Este notoriamente é reconhecido, mundo afora, como excepcional interlocutor, com grande habilidade nas negociações e dotado de singular força de convencimento.

O povo brasileiro abomina a subserviência aos poderosos e aprecia, às vezes ingenuamente, os estrangeiros e os outros povos. Sente-se orgulhoso de seu Presidente. Ele é um deles, um sobrevivente da grande tribulação, que as elites, tidas por Darcy Ribeiro como das mais reacionárias do mundo, nunca o aceitaram porque pensam que seu lugar não é na Presidência mas na fábrica produzindo para elas. Mas a história quis que fosse Presidente e que comparecesse como um personagem de grande carisma, unindo em sua pessoa ternura para com os humildes e vigor com o qual sustenta suas posições.

O que estamos assistindo é a contraposição de dois paradigmas de fazer diplomacia: uma velha, imperial, intimidatória, do uso da truculência ideológica, econômica e eventualmente militar, diplomacia inimiga da paz e da vida, que nunca trouxe resultados duradouros. E outra, do século XXI, que se dá conta de que vivemos numa fase nova da história, a história coletiva dos povos que se obrigam a conviver harmoniosamente num pequeno planeta, escasso de recursos e semi-devastado. Para esta nova situação impõe-se a diplomacia do diálogo incansável, da negociação do ganha-ganha, dos acertos para além das diferenças. Lula entendeu esta fase planetária. Fez-se protagonista do novo, daquela estratégia que pode efetivamente evitar a maior praga que jamais existiu: a guerra que só destrói e mata. Agora, ou seguiremos esta nova diplomacia, ou nos entredevoraremos. Ou Hillary ou Lula.

A nossa imprensa comercial é obtusa face a essa nova emergência da história. Por isso abomina a diplomacia de Lula.

Leonardo Boff junto com Mark Hathaway escreveu o livro The Tao of Liberation. Exploring the Ecology of Transformation, N.Y. 2009.

Israel se comporta da mesma forma que Ritler e prossegue com o holocausto, agora, dos Palestinos

Israel: novo massacre humanitário?

Os capítulos da história são tão claros, quanto dramáticos. Primeiro os judeus obtêm a aprovação da ONU para a construção do Estado de Israel. Para isso expulsam milhões de palestinos que ocupavam a região. Em seguida, aliados aos EUA, impedem que o mesmo direito, reconhecido igualmente pela ONU, seja estendido aos palestinos, com a construção de um Estado soberano tal qual goza Israel.
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Depois, ocupação dos territórios palestinos, militarmente, seguida da instalação de assentamentos com judeus chegados especialmente dos países do leste europeu, recortando os territórios palestinos.

Não contentes com esse esquartejamento dos territórios palestinos, veio a construção de muros que dividem esses territórios, buscando não apenas tornar inviável a vida e a sustentabilidade econômica da Palestina, mas humilhar a população que lá resiste.

Há um ano e meio, o massacre de Gaza. A maior densidade populacional do mundo, cercada e afogada na sua possibilidade de sobrevivência, é atacada de forma brutal pelas tropas israelenses, com as ordens de que “não há inocentes em Gaza”, provocando dezenas de milhares de mortos na população civil, em um dos piores massacres que o mundo conheceu nos últimos tempos.

Não contente com isso, Israel continua cercando Gaza. Um ano e meio depois nem foi iniciado o processo de reconstrução, apesar dos recursos recolhidos pela comunidade internacional, porque a população continua cercada da mesma maneira que antes do massacre de dezembro 2008/janeiro 2009. As epidemias se propagam, enquanto remédios e comida apodrecem no deserto, do lado de fora de Gaza, cercada como se fosse um campo de concentração pelas tropas do holocausto contemporâneo.

Periodicamente navios tentavam levar comida e remédios à população de Gaza, chegando por mar, de forma pacífica, mas sistematicamente eram atacados pelas tropas israelenses. Desta vez a maior comitiva internacional de paz, com cerca de 750 pessoas de vários países, se aproximou de Gaza para tentar romper o bloqueio cruel que Israel mantêm sobre a população palestina. Foi atacada pelas tropas israelenses, provocando pelo menos 19 mortos e várias de dezenas de feridos.

Quem representa perigo para a paz na região e para a paz mundial? O Irã ou Israel? Quem perpetra massacres após massacres contra a indefesa população palestina? Quem impede que a decisão da ONU seja colocada em prática, senão Israel e os EUA, bloqueando a única via de solução política e pacifica para a região – o reconhecimento do direito palestino de ter seu Estado? Quem comete os piores massacres no mundo de hoje, senão aqueles que foram vítimas do holocausto no século passado e que se transformaram de vítimas em verdugos?

*Fotos do massacre de 2009, do blog de Virgílio Freire. Copiadas do blog do Saraiva.

quinta-feira, 27 de maio de 2010

Cineasta norte-americano afirma que imprensa da Venezuela é histérica. Se ele conhecesse a do Brasil...

Do blog Tijolaço - Brizola Neto

No avião, vindo de Brasilia, deu para ler a entrevista do cineasta americano Oliver Stone (Platoon, JFK, Nascido a 4 de Julho) à Folha de S. Paulo. O jornal tenta, mas não consegue fazer o cineasta americano, que chega dia 31 ao Brasil para lançar seu filme South of the Border (Ao Sul da Fronteira, cujo trailler legendado postei aqui), entrar na onda da histeria anti-Hugo Chavez.

Reproduzo alguns trechos:

O filme é pró-Chávez?

Não é pró-Chávez. Apenas mostra honestamente o que ele está fazendo e o que estão dizendo sobre ele. Não é um documentário longo que vai defender tudo, é uma “roadtrip”. Se fosse pró-Chávez, ele teria três horas a mais.

O presidente Hugo Chávez tenta controlar a mídia na Venezuela…

[Interrompendo] Não mesmo. 80% da mídia na Venezuela é privada, dirigida por ricos que falam mal do governo. Chávez brigou pela liberdade de expressão. Alguns canais e revistas convocaram greves e chamaram as pessoas para um golpe de Estado em 2002. Em meu país, se você fizer isso, sua licença [de TV] será retirada.

Há relatos de jornalistas sobre a pressão do governo.

Estou falando do que vi e ouvi. O governo respeita a liberdade de imprensa, exceto nos casos em que a mídia desrespeita a lei ou tenta um golpe. Aí as licenças das empresas de comunicação não são renovadas. A maioria das TVs do país é dirigida por lunáticos, caras de direita que perderam seu poder quando Chávez nacionalizou o petróleo. É uma das imprensas mais histéricas que já vi.

Acho que o Oliver Stone precisava ver um pouco como é a nossa, aqui.

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Recuo dos EUA? Obama escreve a Lula e diz que acordo com Irã criaria confiança

O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou em uma carta ao seu colega brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva que o acerto de troca de combustível nuclear com o Irã criaria “confiança” no mundo, segundo trechos do documento enviado há 15 dias, antes do acordo de Teerã, e obtidos pela Reuters nesta sexta-feira.

O Brasil, que mediou com a Turquia o acordo com o Irã, alega que a carta de Obama inspirou a maioria dos pontos da Declaração de Teerã, por meio da qual a “República Islâmica do Irã concorda em depositar 1.200 kg de urânio levemente enriquecido” na Turquia. Em troca, o país receberia 120 kg de combustível para um reator de pesquisas médicas localizado na capital iraniana.

A Reuters teve acesso a trechos da correspondência e comparou alguns de seus pontos com o acordo assinado na última segunda-feira. Nela, Obama retoma os termos do acordo que o Grupo de Viena havia proposto no ano passado, cujos principais elementos constam no acerto entre Brasil, Turquia e Irã. “Do nosso ponto de vista, uma decisão do Irã de enviar 1.200 kg de urânio de baixo enriquecimento para fora do país geraria confiança e diminuiria as tensões regionais por meio da redução do estoque iraniano” de LEU (urânio levemente enriquecido na sigla em inglês), diz Obama, segundo trechos obtidos da carta.


Clique aqui para ler a matéria da agência Reuters no portal Terra

Fonte: Agência Reuters

Quem representa perigo para a paz mundial?



Lula tinha afirmado que um país que possui armas nucleares não tem condições morais para exigir que outros não tenham. Da mesma forma que afirmou que a mediação dos EUA no conflito entre Israel e Palestina não tinha promovido a paz, porque os EUA possuem interesses diretamente vinculados a Israel, não possuindo credenciais para mediar o conflito com um mínimo de objetividade.

O acordo logrado com o Irã confirma esse critério. O Brasil e a Turquia, membros atuais do Conselho de Segurança, aderentes ao Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares, países do Sul do mundo, puderam obter com o Irã o acordo que a Agência da ONU pede. No entanto, os EUA - tomados de surpresa, porque não acreditavam (e torciam para) que o acordo pudesse ser obtido, agora apelam para o argumento de que “Não acreditamos na palavra dele”, quando o que buscava era exatamente uma palavra e um esquema de apoio. Obtidos, inviabilizariam as sanções que os EUA querem impor.

A atitude dos EUA é a mesma que tiveram no ataque ao Iraque. Queriam provas de armamento de destruição em massa, não obtiveram, alegaram que sim, havia, com isso passaram por cima do Conselho de Segurança da ONU, junto com a Grã Bretanha atacaram e destruíram a mais antiga civilização da história (foram destruídos os lugares históricos e sagrados, mas protegidas as torres de petróleo – o objetivo real da ocupação).

Quem representa perigo para a paz mundial? O Irã, que talvez pudesse vir a construir armamento nuclear, mas que não ocupa nenhum outro país? Ou os EUA, único país na história que usou a bomba atômica – contra Hiroshima e Nagasaki -, possui um arsenal de todo tipo de armamento que representa a metade de todo o armamento existente no mundo? Que atualmente ocupam o Iraque e o Afeganistão, que tem uma história de invasões, ocupações, desembarques militares, amplamente conhecida?

Que desrespeitou o Conselho de Segurança da ONU e atacou o Iraque, apoiado em acusações que não se confirmaram? Que possui bases militares em mais de 10 países em todo o mundo? Ou Israel, que possui armamento nuclear, ameaça constantemente atacar o Irã e ocupa os territórios que devem, segundo a ONU, ser destinados ao Estado Palestino?

Emir Sader
Sociólogo e Cientista Político

sábado, 15 de maio de 2010

Embaixador dos EUA: “Vamos trombar com o Brasil”

Os Estados Unidos torcem ardentemente para que a missão de Lula no Irã seja um fracasso. Por um motivo muito simples: Lula deseja um entendimento que solucione o conflito em torno da questão nuclear em Teerã, o que poderá frustrar o plano norte-americano de sanções do Conselho de Segurança da ONU e sabe-se lá o que pode vir depois.

Esta diferença de visão quanto à política internacional começa a incomodar os EUA. Em entrevista ao Financial Times, o embaixador dos EUA no Brasil, Thomas Shannon, disse isso com todas as letras: “À medida que o Brasil se torna mais assertivo globalmente e começa a afirmar sua influência, vamos trombar com o Brasil em novos temas, como Irã, Oriente Médio, Haiti”.

O embaixador acrescentou que embora a emergência do Brasil seja muito positiva de uma maneira geral, ela nos desafia porque significa que temos que repensar como entendemos nosso relacionamento.”

Acho que não é necessária mais nenhuma explicação. O protagonismo brasileiro e, principalmente, a independência em relação aos EUA nas questões de política externa passaram a ser vistos como uma ameaça. Os EUA ficaram extremamente frustrados com a negativa brasileira de punir o Irã quando Hillary Clinton veio aqui em março pedir isso a Lula.

Os EUA, assim como muitos colunistas da nossa imprensa, não aceitam que a política externa brasileira é soberana e que o país passou a ter um papel de influência em escala global, difícil de ser assimilado por mentes cucarachas. Se Lula for bem sucedido em Teerã – e tomara que seja, porque isso evitaria retaliações, sofrimento ao povo iraniano e guerra – os EUA sairiam ridicularizados. É por isso que jogam tanto contra.

Brizola Neto

sexta-feira, 14 de maio de 2010

Lula tem apoio da França e Rússia para negociar com o Irã

Do Portal Vermelho

O presidente brasileiro, Luiz Inacio Lula da Silva, está em Moscou nesta quinta-feira (13) e desembarca em Teerã no domingo com uma missão que gera urticárias, principalmente em Washington: achar uma saída negociada e pacífica para a crise nuclear iraniana, desarmando a pressão por sanções, que os Estados Unidos querem para "o quanto antes". A tarefa não é fácil. Mas Lula já obteve o apoio da França e da Rússia, que antes apoiavam a linha dura americana.

O presidente russo, Dmitry Medvedev apoiou na quarta-feira que a proposta do Brasil e da Turquia, de enriquecimento do urânio iraniano no exterior. "Se esse tipo de proposta tiver o apoio de todos os participantes desse processo, não será uma saída ruim para a situação", disse Medvedev, em Ancara (Turquia), onde discutiu o tema, preparando seu encontro com Lula nesta sexta-feira.

O presidente francês, Nicolas Sarkozy, manifestou oficialmente também na quarta-feira "o total apoio da França aos esforços empreendidos pelo Brasil para convencer as sutoridades iranianas de responder plenamente às demandas da comunidade internacional sobre o dossiê nuclear". Ele e Lula conversaram por telefone às vésperas da turnê do presidente brasileiro, que inclui igualmente o Catar.

Frente pró-sanções está abalada

A diplomacia dos Estados Unidos torceu o nariz para a iniciativa brasileira. Os EUA pretendem que o Irã desista de seu programa nuclear. Teerã proclama que ele não possui fins militares, visando a produção de energia (o país é pobre em recursos hídricos) e o emprego na medicina. Os EUA questionam a sinceridade da afirmação, em um bateboca que recorda o famoso caso das supostas armas de destruição em massa iranianas.

Há duas semanas Washington vinha insistindo que o tempo das negociações passara e era preciso votar rapidamente, na ONU, sanções contra a nação iraniana. Mas as manifestações da Rússia e da França, assim como a resistência da China, abalaram a frente pró-sanções.


Diante disso, o governo americano teve que conter o seu ímpeto sancionador. Um funcionário de alto escalão do Departamento de Estado, que pediu para ficar no anonimato, comentou que "devemos interpretar a visita de Lula como uma última tentativa de diálogo".
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