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sábado, 13 de novembro de 2010

A derrocada do SBT


A crise do Panamericano e a ruína do SBT

Por Ale Rocha

É possível traçar um paralelo entre a crise do Banco Panamericano e a derrocada do SBT, que já perdeu o posto de “campeão absoluto da vice-liderança” para a Record e, recentemente, está ameaçado pela Band.

Apesar de assuntos completamente diferentes, os fatos expõem a atual fragilidade administrativa de Silvio Santos. Aos 80 anos, o empresário de trajetória admirável dá sinais de cansaço. A agilidade que marcou sua história é coisa do passado. Há anos, o SBT assiste ao próprio declínio sem esboçar uma reação. A emissora perdeu o espaço garantido durante as décadas de 1980 e 1990.

Das novelas mexicanas aos apresentadores pescados na concorrência (Jô Soares, Lillian Witte Fibe, Ana Paula Padrão, Serginho Groisman e Boris Casoy, entre outros). Dos programas populares comandados por Gugu e Ratinho ao virulento “Aqui Agora”. O enorme sucesso da primeira edição da “Casa dos Artistas”, que quase naufragou o “Big Brother Brasil”. Até mesmo com as malucas mudanças na grade de programação, Silvio Santos chegou a bater a Globo no Ibope e ironizava os demais concorrentes, afirmando que nunca perderia a vice-liderança absoluta de audiência.

De meados dos anos 2000 em diante, a história mudou. O SBT entrou em declínio. Ainda assim, a audiência aguardava a retirada de um coelho da cartola. Afinal, o toque de Midas de Silvio Santos é inegável. De camelô a dono de uma holding com mais de 40 empresas, seu comportamento empreendedor sempre deu esperanças de que o SBT viraria o jogo contra a derrocada na audiência.

Porém, a carta na manga nunca apareceu. Por culpa do próprio Silvio Santos. Ele nunca conduziu uma sucessão no comando do SBT, mesmo cercado de familiares, como os sobrinhos Leon Abravanel e Guilherme Stoliar, além da esposa Íris Abravanel e das filhas Patrícia Abravanel, Silvia Abravanel e Daniela Beyruti.

Silvio Santos sempre dirigiu a emissora com extremo personalismo. Porém, o tempo passou e ele não percebeu a hora de parar e celebrar suas conquistas. A falta de confiança nos colaboradores, ou a dificuldade em largar seu brinquedo favorito, pode ser a grande mancha em seu currículo.

Segundo a assessoria de imprensa do SBT, a emissora negocia sua madrugada para igrejas evangélicas. O colunista Ricardo Feltrin, do UOL, afirma que o Ministério Silas Malafaia, a Igreja Internacional da Graça e a Igreja Universal estão no páreo. Uma notícia trágica.

Se a negociação se concretizar, o SBT deixará de ser a única emissora aberta sem qualquer programação religiosa. Até a Globo tem um programa do gênero, com a “Santa Missa” católica aos domingos. Outro ponto negativo é o das séries norte-americanas nas madrugadas, que muitas vezes garantem a liderança no Ibope.

Para piorar a situação, Silvio Santos colocou todo seu complexo empresarial como garantia do empréstimo de R$ 2,5 bilhões concedido ao Banco Panamericano pelo FGC (Fundo Garantidor de Crédito). O SBT está no prego.

“Nunca vi um empresário fazer isso. Se colocar nessa situação”, afirmou Gabriel Jorge Ferreira, presidente do conselho do FGC, instituição formada pelos bancos brasileiros que visa a manter a estabilidade do sistema financeiro.

Nesta semana, após colocar o SBT e outras empresas da holding SS Participações no prego, Silvio Santos foi ao Jassa cuidar da aparência. Os funcionários do salão relataram que o ‘Patrão’ parecia tranquilo. Em entrevista para Mônica Bergamo publicada pela “Folha de S. Paulo” nesta sexta-feira (12), ele ironizou o interesse do megaempresário Eike Batista em suas empresas. “No duro? Ah, me arranja! Arranja para mim que eu te dou uma comissão. Se ele me pagar bem, por que não? Quem é? ‘Elque’?”

Com a corda no pescoço, Silvio Santos foi ético ao dar o patrimônio de toda uma vida e preservar uma instituição, protegendo o mercado, os acionistas e os correntistas. Além disso, não perdeu a pose. Uma pena o Brasil presenciar o ocaso de um grande empreendedor e a ruína de uma emissora que nasceu pela vontade e garra de um único homem.


quinta-feira, 28 de outubro de 2010

SBT vai processar Globo por ''bolinha de papel'' em Serra

O SBT tomará medidas cabíveis contra a TV Globo por usar as imagens do Serra sendo atacado por uma bolinha de papel sem autorização

– "O SBT tomará medidas cabíveis contra a TV Globo por usar as imagens do Serra sendo atacado por uma bolinha de papel sem autorização", disse a jornalista Cynthia Benini, durante o "Jornal do SBT", referindo-se à edição do Jornal Nacional que foi ao ar na quinta-feira (21) em que foram usadas imagens da emissora de Silvio Santos em matéria sobre suposta "bolinha de papel" que teria atingido o presidenciável José Serra durante caminhada no Calçadão Campo Grande, no Rio de Janeiro (RJ).

A matéria do telejornal da Globo colocou em dúvida a afirmação do SBT que havia dito que Serra foi atingido "por um objeto branco que parece uma bola de papel". Para "desmentir" a notícia da concorrente, a Globo apresentou um segundo vídeo, de baixa qualidade, do jornal "Folha de S. Paulo", que teria registrado um objeto mais pesado atingindo o candidato tucano.

sexta-feira, 22 de outubro de 2010

SBT reafirma que única agressão foi a bolinha de papel.


Redação Carta Capital

Reportagem do canal acompanhou toda a caminhada de Serra e não registrou nenhum outro incidente com o tucano.

O telejornal SBT Brasil desta quinta-feira 21, apresentado por Carlos Nascimento e Karyn Bravo, reafirmou em reportagem que a única agressão sofrida pelo candidato tucano José Serra em caminhada no Rio de Janeiro foi a bolinha de papel registrada pelo cinegrafista do canal. A reportagem afirma que acompanhou todo o resto da caminhada e apenas após receber um telefonema o tucano levou a mão a cabeça. Serra cancelou a sua agenda e foi atendido em dois hospitais particulares.


quinta-feira, 30 de setembro de 2010

Cartel de 4 famílias comanda a mídia no Brasil

Até a última década do século XX, cerca de nove grupos de empresas familiares controlavam a grande mídia nacional no Brasil. As famílias eram Abravanel (SBT), Bloch (Manchete), Civita (Editora Abril), Frias (Folha de S. Paulo), Levy (Gazeta Mercantil), Marinho (Organizações Globo), Mesquita (O Estado de São Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil) e Saad (Rede Bandeirantes).
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Hoje, sem as famílias Bloch, Levy e Nascimento Brito, esse número está reduzido a seis, sendo que apenas quatro são formadoras da agenda nacional.
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Segundo a jornalista Berenice Mendes, do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a redução do número de famílias não diminuiu o poder desse restrito grupo, muito pelo contrário.
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"Através do Conselho de Comunicação Social do Congresso, instituído por determinação constitucional, aconselhamos os parlamentares a tomar medidas contra esse processo de concentração, mas a bancada ligada à comunicação é tão grande e influente que o Conselho foi sendo gradativamente esvaziado e, na prática, foi extinto, já que está paralisado há quatro anos", criticou.
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Ao mesmo tempo, Berenice lembra que não foi difícil aos barões da mídia, endividados na época, aprovar a entrada do capital estrangeiro no setor, mesmo havendo exigência constitucional de fórum qualificado para qualquer alteração legal na área.
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"A participação aprovada, de 30%, é a maior do planeta. Agora estão reclamando da entrada de grupos portugueses", disse, ponderando que, no mundo inteiro, inclusive nos Estados Unidos e na Europa, a legislação está sendo modernizada em prol da ética.
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"O Brasil precisa de um grande pacto civilizatório nesse sentido. Caso contrário entraremos num cenário obscurantista, pois a legislação antiga não dá conta nem do que havia antes da convergência das mídias", salientou.
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quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Farsa: Serra sabia que sigilo da filha foi violado. E achou normal


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Por recomendação de comentaristas, fui atrás de um vídeo publicado pelo Luís Nassif que mostra quanto de hipocrisia e exploração eleitoral está por trás na “indignação” de Serra e da mídia com o vazamento de informações sigilosas sobre os tucanos.
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E, de fato, está lá, numa reportagem especial do SBT, em outubro de 2009, que se comprava nas ruas de São Paulo informações sobre milhares ou milhões de pessoas, inclusive, nas palavras dele, sua mulher e seus filhos. O mesmo foi feito com o presidente Lula, D. Marisa, seus filhos, o ministro da Fazenda, Guido Mântega, o então ministro da justiça, Tarso Genro e muitos outros servidores, inclusive da alta cúpula da secretaria de segurança de São Paulo. Informações que deveriam ser mantidas secretas por vários órgãos, inclusive a própria PM, que confirma que foram violados cadastros internos da corporação a que ninguém de fora teria acesso.

Uma prova de que atividades criminosas, sem qualquer aparente vinculação política e eleitoral, embora sejam graves e devam ser profundamente investigadas e punidas, já aconteciam inclusive dentro do que era responsabilidade do Governo paulista, então comandado por… José Serra, que fala sobre o problema sem 1% do furor com que fala agora. (assista ao vídeo acima)

quarta-feira, 8 de setembro de 2010

O declínio do império e os novos tempos



Leio no ótimo blog do nosso amigo Cláudio Ribeiro – o Palavras Diversas - a notícia que, domingo passado, a Rede Globo teve de amargar, pela primeira vez em décadas, o segundo lugar em audiência no Rio de Janeiro, como você pode ver aí do lado, no gráfico do Ibope. Melhor ainda, houve equilíbrio entre as três maiores emissoras. E bem melhor ainda que os números revelam que já vão longe o tempo em que a televisão ficava ligada em quase 90% dos lares.

Era fatal, mesmo, que isso viesse a acontecer. O fim do império global é como, em geral, é o fim de todo império: lento, inexorável, fruto das mudanças sociais, econômicas e tecnológicas mas, também, da perda de sua capacidade de impor seus padrões de cultura sobre a sociedade.
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Mas não é de televisão que quero falar, ao ler esta notícia. É de imprensa e de liberdade de imprensa.

O privilégio de impressão dado pela nobreza e pelo clero, há cinco séculos, depois de evoluir para uma certa democratização com a pequena imprensa, que se multiplicava em pequenos jornais, no século 19 e começo do século 20, regrediu para a condição monopolista, à medida em que começaram a se formar os conglomerados de comunicação, nos últimos 50 anos.

Tendo Assis Chateaubriand como pioneiro, o poder de imprensa tornou-se tão concentrado que seus veículos se confundiam com as famílias proprietárias: os jornais eram o “da Condessa (Pereira Carneiro)”, o JB, o de Roberto Marinho (Globo), o “dos Mesquita” (Estadão) e, mais recentemente, o “do seu Frias”.

Embora se fale muito em sinergia com a televisão, isso não foi uma regra para a evolução dos jornais. A aliança entre Marinho e a ditadura fez declinar o poder do grupo de Chateaubriand na TV, que começava a se afirmar, e fechou a porta para todos os outros grupos de mídia impressa que pretendiam nele se aventurar. Quem tentou, como o JB, pagou um preço altíssimo pela ousadia de pisar no terreno do “é meu” global, porque televisão envolve custos altíssimos e inviáveis para empresários que têm mais pompa que recursos.

O advento da internet pareceu ser a área onde isso ia se materializar. À exceção do JB, já combalido, eles e as empresas de telefonia ensaiaram um controle oligopolista do novo meio. Para existir na intenet, era preciso estar “pendurado” num dos grandes portais. Estes, por sua vez, terceirizavam o custo da produção de conteúdo. Blogueiros que viveram estes tempos podem contar muito melhor do que eu esta história.

Eu quero falar é justamente deles. Ontem à noite fiquei pensando: será que não vai aparecer, como aconteceu com o bloqueio dos grandes jornais a Getúlio Vargas, o Samuel Wainer da internet, alguém que abra um espaço de comunicação com uma ótica popular e progressista?
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Quase de imediato, vi que não é isso, porque o caminho que as iniciativas vitoriosas tomaram não é o da criação de um grande empreendimento, mas o da afirmação da vontade e da capacidade (diria, até, da resistência física) que centenas, talvez milhares de pessoas em romper o monopólio e o dirigismo da informação.

Os blogs progressistas, ao contrário do que ocorreria com grupos de motivação meramente econômica, não competem por receita. Aliás, muitos de nós não as tem ou quase nada as tem, embora o sr. José Serra sustente que somos “sujos” por vivermos de publicidade (?) estatal (?!!). Vivemos uma experiência colaborativa,reproduzimos, uns nos outros, o que nos chama a atenção, não pensamos que o crescimento de nossos acessos se fará “roubando” leitores uns dos outros.

E a realidade mostra que é assim que dá certo. Quem se interessar em pesquisar a evolução do volume de acessos dos blogs de Paulo Henrique Amorim, do Azenha, do Nassif e, até, deste Tijolaço, verá que todos eles crescem de maneira quase harmônica e todos estamos cada vez mais bem situados nos ranqueamentos de sites brasileiros.

O mais legal, em tudo isso, é que acho que nenhum de nós tem a menor idéia de onde e em que isso vai parar. Numa cooperação editorial? Numa cooperação em matéria de estrutura – até porque vocês devem ver a gente saindo do ar volta e meia por problemas de suporte técnico ou, como diz uma amigo meu, “suporte o técnico”?

Querem uma resposta? Não tenho a menor idéia. Só me ocorrem os versos do Gonzaguinha: “Passado/ é um pé no chão e um sabiá/ Presente/ é a porta aberta/E futuro é o que virá…
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