quarta-feira, 3 de novembro de 2010

Os cacos espalhados após a campanha política na Paraíba


Por Júnior Miranda

A eleição de 2010 deixou um amontoado de cacos políticos espalhados dentro dos partidos na Paraíba. Nunca houve uma divisão tão forte nos partidos quanto nas eleições deste ano. Vejamos:

No PMDB, apesar de aparente união, fala-se que o grupo do governador José Maranhão ficou chateado com o pífio resultado do candidato em Campina Grande, cidade sob o comando do jovem prefeito peemedebista Veneziano Vital do Rego, o qual pretendia disputar o cargo de governador agora em 2010, mas foi preterido pelos dirigentes da sigla. Há quem diga que assessores e simpatizantes de Veneziano e do irmão e senador eleito Vitalzinho, não ficaram muito tristes com a derrota do governador.

Ainda no PMDB, resta saber qual o grupo falará mais alto dentro do partido. O grupo de Veneziano conseguirá maioria para enfrentar as outras tendências do partido, tendo a frente nomes como Benjamin Maranhão, Manoel Júnior, os quais são considerados fiéis ao governador José Maranhão? Pelo menos, Veneziano terá o apoio do ex-governador Roberto Paulino, que sempre simpatizou com a indicação de Vené para governador nesta eleição, mas foi derrotado.

Já no PSDB, a briga escancarou-se de vez na Paraíba. O senador Cícero Lucena, um dos coordenadores da campanha de José Serra no Nordeste, apoiou e fez campanha para o peemedebista José Maranhão, arquirrival do seu companheiro de partido, o ex-governador Cássio Cunha Lima, o qual apoiou Ricardo Coutinho (PSB), antigo desafeto de Cícero Lucena.

Vale destacar que foi através das denúncias do então deputado estadual Ricardo Coutinho, e hoje governador eleito da Paraíba, que o tucano Cícero Lucena foi preso pela Polícia Federal acusado de fraudar licitações de obras na capital paraibana.

No Partido dos Trabalhadores, não foi diferente. A disputa se deu entre o grupo do atual presidente do partido na Paraíba, Rodrigo Soares, e o do deputado federal reeleito para o 3º mandato, Luiz Couto. Rodrigo foi candidato a vice-governador junto com Maranhão, e Couto declarou apoio ao socialista Ricardo Coutinho.

Ao final, o deputado estadual Rodrigo Soares, que concluirá seu mandato em dezembro, perdeu a eleição para vice-governador, ficou com a imagem arranhada junto à direção nacional do partido por atrapalhar a campanha de Luiz Couto, cortando, por exemplo, programas eleitorais no Rádio e na TV, e ainda, ao que tudo indica, perderá a maioria dos seus apoiadores na direção estadual.

Já Luiz Couto, além de reeleito pela terceira vez consecutiva para deputado federal, sendo o 5º mais votado da Paraíba e o 1º na capital João Pessoa, conseguiu mais votos que o candidato a deputado federal apoiado por Rodrigo, o atual deputado estadual Jeová Campos, que também perdeu a eleição.

No PC do B, o racha político também causou um fuzuê danado na Paraíba. Uma ala dos comunistas declarou apoio a José Maranhão, outra ala a Ricardo Coutinho. E a confusão tava feita, e ainda continua.

A mesma coisa aconteceu com outros partidos, como por exemplo, o PTB do deputado federal Armando Abílio. Numa hora apoiava Ricardo, noutra Maranhão, até o presidente da sigla o Bob Jefferson, quer dizer, Roberto Jefferson, intervir na querela. O sempre Armando acabou não se reelegendo.

Por fim, acho que os cacos tendem a se espalharem ainda mais, de uma forma ou de outra, com as eleições municipais em 2012. Ou não, já que, sejamos realistas, em matéria de política tudo é possível. O inimigo de hoje poderá ser o amigo de amanhã. Quer dizer, o adversário de hoje, poderá ser o aliado de amanhã. Se for para o bem da sociedade, pode até valer... Mas... O que vocês acham?


OAB reage a ataque ao Nordeste no Twitter

A seção Pernambuco da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-PE) entra hoje, na Justiça de São Paulo, com representação criminal contra a onda de ataques aos nordestinos divulgada por meio do Twitter após a eleição de Dilma Rousseff.

No domingo à noite, cabos eleitorais do PSDB começaram a postar mensagens ofensivas ao Nordeste, relacionando o resultado à boa votação de Dilma na região.A representação da OAB-PE é contra a estudante de Direito Mayara Petruso, de São Paulo, uma das que teriam iniciado os ataques.

Segundo o presidente da OAB-PE, Henrique Mariano, Mayara deverá responder por crime de racismo (pena de dois a cinco anos de prisão, mais multa) e incitação pública de prática de crime (cuja pena é detenção de três a seis meses, ou multa), no caso, homicídio.

Entre as mensagens postadas pela universitária, há frases como: "Nordestino não é gente. Faça um favor a SP, mate um nordestino afogado!".

- São mensagens absolutamente preconceituosas. Além disso, é inadmissível que uma estudante de Direito tenha atitudes contrárias à função social da sua profissão. Como alguém com esse comportamento vai se tornar um profissional que precisa defender a Justiça e os direitos humanos? — diz Mariano.

Em julho deste ano, a seção pernambucana da Ordem já havia prestado queixa à Polícia Federal contra pelo menos dez usuários do Twitter, por mensagens ofensivas aos nordestinos após as enchentes na região.

- Essas redes sociais são meios de comunicação de alcance nacional, e crimes que ocorram nelas são de ordem federal. São ofensas que atingem a todos os nordestinos, existe um direito difuso aí sendo desrespeitado — completa Mariano, para quem o nível agressivo da campanha pela internet este ano, apesar de não justificar os ataques, pode tê-los estimulado.

No domingo, usuários do Twitter insatisfeitos com a vitória de Dilma começaram a postar frases como "Tinham que separar o Nordeste e os bolsas vadio do Brasil" e "Construindo câmara de gás no Nordeste matando geral". Como reação, outros usuários passaram a gerar uma onda de mensagens com "#orgulhodesernordestino", hashtag que ficou entre os primeiros lugares no ranking mundial de temas mais citados no Twitter.

O legado do ódio [deixado por Serra]


Vídeo reúne as manifestações horrorosas de ódio que tomaram conta da internet nos últimos dias – com calúnias, ofensas e ameaças contra o povo nordestino. É de revirar o estômago. Mas ajuda a lançar luz sobre um Brasil que não gostamos de ver. É bom que o povo do Nordeste saiba como pensam muitos paulistas e sulistas que gostariam de eleger Serra.

Do Escrevinhador - Rodrigo Vianna

terça-feira, 2 de novembro de 2010

'Até logo' de Serra irrita tucanos e desnuda maior crise do PSDB

A declaração do candidato derrotado à Presidência da República, José Serra (PSDB) – que em discurso sobre o resultado de domingo (31) disse que não dava um "adeus", mas um "até logo" – causou polêmica. Reservadamente, tucanos e aliados defendem uma renovação dos quadros da oposição nos próximos anos.

Serra escancarou a maior crise da história do PSDB, que terá de trabalhar para evitar que novas divisões internas prejudiquem a candidatura do tucano que concorrerá à eleição em 2014. A ideia é criar consenso em torno de um novo candidato já em 2012, evitando especulação e desgaste político que interfira no processo de escolha.

Ao contrário do que aconteceu nas últimas três eleições presidenciais – em 2002, José Serra disputou a vaga com Tasso Jereissati; em 2006, a briga foi com Geraldo Alckmin (que ganhou a queda de braço); e este ano Aécio Neves foi a pedra no caminho –, a cúpula tucana quer trabalhar nos dois anos antes da eleição em torno de um único nome.

Para líderes do partido, os rachas internos podem contribuíram para a derrota de Serra na disputa com Dilma Rousseff no segundo turno. “Precisamos ter um desenho sobre nosso candidato já daqui a dois anos. Não podemos ficar refém dessa divisão interna”, avalia Sérgio Guerra, presidente do partido e coordenador nacional da campanha tucana.

Segundo Guerra, ao pôr Aécio de escanteio na disputa, o partido criou um clima de constrangimento que pode ter interferido negativamente. “Quando o Aécio desistiu da candidatura, eu estava lá e liguei imediatamente para o Serra e para o Fernando Henrique para dizer que eu tinha visto uma tristeza e um constrangimento muito forte do Aécio. Eu disse a eles: temos que trabalhar isso”, chegou a admitir Guerra.

Por tudo isso, a declaração de Serra em 31 de outubro, ao comentar a vitória de Dilma, piorou ainda mais a crise. Serra sinalizou que não sairá da vida pública e deu a entender que pretende voltar a disputar algum cargo eletivo. Houve repercussão negativa da declaração junto a aliados – que se incomodaram sobretudo com a frase "o povo não quis que fosse agora", usada por ele para falar da derrota.

Nos bastidores, integrantes do PSDB avaliam que Serra foi personalista e não promoveu o que deveriam ser os novos passos do partido, no momento em que ele, Serra, sofre a segunda derrota na disputa pela Presidência da República. Há uma cobrança pela reconstrução do PSDB e a adoção imediata de uma bandeira para defender, como a reforma política, durante os quatro anos de administração Dilma.

Na visão desses tucanos, o posicionamento de Serra impede a criação de um canal de interlocução com a sociedade – elemento indispensável para melhorar a imagem do PSDB e da oposição. Os críticos de Serra questionam, ainda, qual espaço político será utilizado pelo candidato derrotado para ser um "militante produtivo".

As forças em choque

O pano de fundo para o descontentamento interno de parte do PSDB é a luta interna por espaço político na legenda. Os principais protagonistas dessa disputa, cada vez menos, velada são os serristas e os entusiastas do governador eleito de São Paulo, Geraldo Alckmin, e de Aécio Neves.

Com musculatura política renovada, Alckmin tem pela frente uma nova geração de tucanos, além de colaboradores tradicionais, que defendem o seu nome como principal liderança no estado. Do lado mineiro, há descontentamento com a supremacia paulista na escolha dos presidenciáveis, além do entendimento de que São Paulo perdeu a vez com as duas derrotas de Serra e a de Alckmin, em 2006.

Para aliados de Serra, o discurso de domingo foi importante para mandar um sinal para o eleitor que o escolheu. "A realidade é que Serra tem mais de 40 anos de vida pública. Não tem motivo para abandonar isso, o que não significa, necessariamente, disputar um cargo eletivo", afirmou o deputado Jutahy Junior (BA).

Um dos coordenadores da campanha de Serra, José Henrique Reis Lobo, avalia que, em seu discurso, Serra "assumiu a tarefa de ser uma das lideranças da oposição". "Ele vai ser uma das grandes expressões e um oráculo das oposições, não só em estratégia, como em discurso", afirmou Lobo.

Os aecistas

Tucanos serristas culpam Aécio pela derrota na eleição, já que o mineiro não conseguiu obter a vitória de Serra em seu estado, apesar de ter emplacado um "novato" em eleições – o seu ex-vice e agora governador Antonio Anastasia, que conseguiu se reeleger. No discurso de anteontem, Serra nem sequer citou Aécio.

No segundo turno, Dilma conquistou 58,45% dos votos de Minas – 1,7 milhões de votos a mais que Serra, que obteve 41,55% dos votos mineiros. Nos 27 dias de campanha entre o primeiro e o segundo turno, o ex-governador participou de apenas cinco eventos de apoio a Serra no estado.

Nesta segunda, Aécio negou todos os pedidos de entrevista. Seus aliados é que foram escalados para defendê-lo das insinuações de que ele não teria se empenhado pela vitória de Serra em Minas. Os tucanos mineiros alegam que a estratégia de viajar o país – adotada por Aécio no segundo turno – foi proposta do próprio Serra.

“O que vimos foi uma demonstração de coragem do Aécio e muito desprendimento. Ele poderia ter ficado quieto, mas faz o contrário e mostrou que é uma pessoa de partido”, defende o secretário-geral do PSDB e uma das pessoas mais próximas de Aécio, o deputado federal Rodrigo de Castro (PSDB-MG).

A tropa de choque de Aécio já atua para unir o partido em torno de seu nome como liderança natural a disputar as próximas eleições, em 2014. Para isso, os tucanos mineiros acreditam que é preciso promover uma grande reflexão no partido para torná-lo mais nacional – menção clara à hegemonia paulista que resultou no lançamento de três candidatos do estado à Presidência nos últimos anos.

Charge do Sinfrônio: Finado


Fonte: Diário do Nordeste

No blog ContrapontoPIG

Mas é muito sem-vergonha... essa revista Veja...

A revista Veja soltou uma edição extra para bajular a nova presidenta eleita. Partindo de qualquer outra revista seria normal, mas partindo da Veja e da forma que fez, nunca vi tamanha cara-de-pau e tanta sem-vergonhice.


Depois de capas e mais capas seguidas acusando-a de ser uma espécie de megera que mandava fazer dossiês, e de fazer ilações sobre responsabilidade por atos de terceiros, traz um texto carregado de elogios bajuladores e nenhuma crítica. Termina o texto, abanando o rabo igual à um cachorrinho, querendo se safar de processos e com lobismo:

O pronunciamento, feito na noite de domingo em Brasília, mostrou uma presidente eleita senhora do lugar que agora ocupa e com plena consciência das prioridades políticas, econômicas e sociais do país. Mas, principalmente, salientou sua fé no papel presidencial de zelar pela Constituição e, consequentemente, pelo respeito aos direitos ali assegurados. Dilma reafirmou o respeito irrestrito à liberdade de expressão e seu reconhecimento de que “as críticas do jornalismo livre ajudam o país e são essenciais aos governos democráticos, apontando erros e trazendo o necessário contraditório”. Um grande começo.

Isso dois dias depois da edição de sábado passado (véspera da eleição), quando fez uma capa atacado o presidente Lula, com reportagens imbecis, tais como uma comparação de fotos com Fidel Castro.


Em busca de uma bolsa "famiglia" Civita

A famíglia Civita, dona da revista, desde os tempos da ditadura, sempre manteve o comércio de notícias como negócio, em estreita colaboração com o poder.

Verbas governamentais, empréstimos generosos, determinaram a linha editorial chapa-branca ou oposicionista.

Uma notícia desgastante pode ser atenuada. A versão simpática ao governo pode prevalecer sobre uma versão oposicionista, ou realista. Uma notícia capaz de gerar crises, pode ser encoberta com outra, como cortina de fumaça.

Quem não é "cliente" da revista, nem direito de ser ouvido com isenção, consegue. Quem é "bom cliente", só tem noticia negativa publicada com provas, e quando já vaza para outros órgãos de imprensa, e sem viés golpista e com direito de resposta.

O presidente Lula mandou às favas a revista. Não quis conversa. Não ficava almoçando com a famíglia Civita.

Deu um basta na relação de corrupção que existia entre a imprensa e o poder nos governos anteriores.

Agora, a revista "estende a mão" à nova presidenta eleita, mas não em gesto de boa vontade, e sim com o pires na mão, em busca de verbas governamentais, em troca de uma linha editoral mais chapa-branca.

É o bolsa "famiglia" Civita.

Que Dilma faça como Lula fez e mande a famiglia Civita passar o pires nas empresas privadas e privatizadas. Que vivam como empresa no capitalismo, em vez de mamar nas tetas do governo.

A revista escreveu sobre o compromisso de Dilma de zelar pela Constituição e, consequentemente, pelo respeito aos direitos ali assegurados.

Excelente: que sejam assegurados os direitos à honra de quem a tem assassinada por revistas como a Veja.

A revista esqueceu um detalhe importante: a Constituição impõe DEVERES também. O papel da presidente também é garantir que sejam cumpridos.

"Reaças" devem cancelar assinaturas

O que sobra de bom nisso tudo, é que os reacionários que lêem a revista não devem ter gostado dessa bajulação, e devem cancelar assinaturas.

Ou talvez, a falta de compromisso da revista com seus leitores reacionários seja um indicador de que nem eles existem em número significativo. Há suspeitas de que a revista não tem mais público, e vive de uma circulação artificial bancada por assinaturas de órgãos públicos como as compradas pelo governo do Estado de São Paulo na gestão Serra (PSDB), do governo do Distrito Federal, na gestão de José Roberto Arruda (Ex-DEMos), e da distribuição gratuita.

Não é tão "verde" assim: Marina arrecada maior parte dos fundos de campanha com empresas poluidoras

Marina foi financiada pelo capital que mais polui o planeta

Empresas de segmentos conhecidos por agredir o meio ambiente, como metalurgia, mineração, papel e celulose, fertilizantes e cana-de-açúcar, foram responsáveis pela doação de um montante expressivo da campanha da candidata do Partido Verde (PV) à Presidência da República nas eleições deste ano, Marina Silva: cerca de R$ 3 milhões. O valor corresponde a 12,5% do total arrecadado – R$ 24,1 milhões.

Na área de mineração e metalurgia, o volume arrecadado chega a quase R$ 1 milhão. A Companhia Brasileira de Siderurgia e Mineração doou R$ 300 mil; a Companhia Metalúrgica Prada, R$ 150 mil; e a Urucum Mineradora, R$ 500 mil. No ramo de fertilizantes, as maiores doações foram da Fosfértil (R$ 600 mil) e da Bunge Fertilizantes (R$ 100 mil). No ramo de papel e celulose, a Suzano contribuiu com R$ 532 mil e a Klabin com R$ 250 mil. A Cooperativa de Produtores de Cana de Açúcar e Álcool do Estado de São Paulo (Copersucar) doou R$ 250 mil e a Cosan, uma das maiores produtoras mundiais de cana-de-açúcar, também doou R$ 250 mil.

O principal segmento que doou para a campanha de Marina foi o da construção, que sozinho respondeu por mais de R$ 3 milhões. As contribuições foram da Andrade Gutierrez (R$ 1,1 milhões), Camargo Correa (R$ 1 milhão) e Construcap (R$ 1 milhão). O segmento bancário também foi expressivo na arrecadação, responsável por quase R$ 3 milhões. O maior doador foi o Banco Alvorada (empresa que doou o maior montante da campanha), com R$ 1,7 milhões, seguido pelo Itaú Unibanco, com R$ 1 milhão, Banco Safra, com R$ 200 mil, e Banco Rodobens, com R$ 50 mil.

“Não deixemos que a vitória nos faça esquecer que o inimigo é forte”

Por Izaías Almada*

Bem que o Brasil do atraso tentou, o Brasil da calúnia, da infâmia, da subserviência, o Brasil que perdeu a noção da História e da realidade em que vive e da realidade que o cerca. Não adiantou o cidadão e candidato José Serra e a oposição que representa construírem uma estratégia eleitoral torpe, baseada no ódio, na intolerância e no preconceito, pois o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostrou que parte de sua acertada estratégia política está cumprida ao eleger sua candidata e sucessora.

Vitória da perspicácia, da sensibilidade no trato das coisas políticas, da coragem pessoal em confrontar, à sua maneira, a oligarquia que deixou o governo em 2002. E o fez com paciência e tentativas de diálogo e – sobretudo – com o conhecimento do seu povo. É preciso reconhecer: haja sociologia para explicar 83% de aprovação popular a um governo no Brasil. Já disse alguém que a política é a arte do possível. Para muitos, infelizmente, ainda é difícil entender isso. À direita e à esquerda.

Incrédulos com a vitória do metalúrgico semi-analfabeto em 2002, os serviçais e bajuladores da “Casa Grande”, fiéis leitores da cartilha econômica do neoliberalismo, apostaram suas fichas no fracasso e na incompetência do operário, sem jamais esconder o seu preconceito de classe e seu espírito impatriótico. À medida que o tempo avançou e o fracasso esperado do governo Lula não vinha, os órgãos de comunicação social foram mais uma vez acionados com bastante virulência no ano de 2005, pois nova derrota eleitoral seria o início do desastre.

De nada adiantou a campanha moralista naquela altura, curiosamente liderada por alguns dos políticos mais imorais e corruptos do país, alguns deles felizmente defenestrados nas recentes eleições, ou as CPIs policialescas instaladas nas duas casas do Congresso Nacional, onde a pregação intolerante contra o Partido dos Trabalhadores e a esquerda de um modo geral chegou a ser defendida com o chamamento à eliminação “dessa gente” da política brasileira. Bravatas, arrogância e intolerância substituíam os discursos políticos daquilo que se poderia esperar de uma oposição minimamente civilizada, se é que se pode chamar de civilizados um grande número de dilapidadores do patrimônio nacional em beneficio próprio.

Acuado, o governo soube esperar a hora do contra ataque. E o fez no seu segundo mandato, aprofundando as suas políticas sociais e de infraestrutura econômica. Lula se reelegeu em 2006 e chega a 2010, no final do seu governo, com um índice de popularidade “nunca visto antes na história desse país”. E mais: sai o operário e entra uma mulher. Impensável no Brasil de dez anos atrás.

O desafio que tem pela frente a presidente Dilma Roussef é enorme, a começar pela guerra diária que lhe imporá a vetusta oligarquia brasileira e sua velha mídia incompetente, desonesta e oportunista.

Mas, guerra é guerra e o povo, atento e organizado, sempre que chamado, irá se manifestar através de sindicatos, dos movimentos sociais, das entidades estudantis e dos partidos políticos comprometidos com a soberania do país e das suas conquistas sociais, fazendo avançar essas conquistas. E também através de uma nova mídia que se forma pela internet ou – o que espera o país – ver alguns jornais, revistas e televisões tendo que se ajustar a um novo marco regulatório para a comunicação social, tornando-a verdadeiramente democrática.

De hoje em diante toda atenção é pouca, porque o conservadorismo, agora efetivamente de mãos dadas com o emergente fascismo tupiniquim não irá descansar. E essa é uma união mais do que perigosa. Alguém já disse que para onde pender o Brasil, deverá pender a América Latina. Não deixemos que a vitória nos faça esquecer que o inimigo é forte e continuará sua insidiosa luta no dia a dia das calúnias, das mentiras, dos factóides, tentando minar a confiança do povo no seu novo governo.

Felicidades, presidente Dilma Roussef! Seja bem-vinda.

*Izaías Almada é escritor, dramaturgo, autor – entre outros – do livro “Teatro de Arena: uma estética de resistência” (Boitempo) e “Venezuela povo e Forças Armadas” (Caros Amigos).

Leia o texto completo no blog  Escrevinhador, do jornalista Rodrigo Vianna.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Dilma concede a primeira entrevista como presidenta eleita a TV Record e deixa Jornal Nacional da Globo em segundo plano

Diz o ditado popular: um gesto vale mais que mil palavras. E o gesto da presidenta Dilma Rousseff em conceder a primeira entrevista ao Jornal da Record na noite desta segunda-feira (01), tem um significado muito especial para aqueles que defendem uma mídia sem o nefasto monopólio da informação, seja qual for a empresa de comunicação.

A presidenta eleita do Brasil, Dilma Vana Rousseff, concedeu a primeira entrevista as jornalistas Ana Paula Padrão e Adriana Araújo da TV Record, e ao falar sobre liberdade de imprensa recomendou que se as pessoas não estiverem satisfeitas com determinada emissora que usem o controle remoto e troquem de canal, e reafirmou que prefere a crítica da imprensa ao silêncio da ditadura.

Com a entrevista ao vivo para as jornalistas da Record, Dilma quebrou a “exclusividade” da Globo em ser a primeira emissora a entrevistar o presidente eleito, no caso, a primeira presidenta do Brasil. Entretanto, Dilma também foi entrevistada minutos depois no Jornal Nacional, mas dessa vez o William Bonner teve que ir ao encontro de Dilma em Brasília, e não ao contrário, como aconteceu com Lula e outros presidentes eleitos, os quais foram entrevistados na bancada do Jornal Nacional.

Valeu Presidenta!

Leia mais sobre o assunto aqui

Confira a primeira entrevista da Presidenta Dilma:

O preconceito que se esconde por trás do mapa vermelho e azul

por Luiz Carlos Azenha

Nem de longe é uma tentativa majoritária. E a imensa maioria dos analistas tem dito isso: o mapa que divide o Brasil entre azul e vermelho não conta toda a história da escolha de Dilma Rousseff.

Mas o mapinha simplório e simplista serve aos que pretendem ligar Dilma Rousseff ao suposto “atraso” das regiões Norte e Nordeste. O preconceito sempre dá um jeito de reaparecer, sob outros disfarces.

Dilma teve 58% dos votos de Minas Gerais, mais de 60% dos votos do Rio de Janeiro, quase 50% dos votos no Rio Grande do Sul e quase 46% dos votos em São Paulo.

Se todos os votos dos dois candidatos no Nordeste fossem descartados, ainda assim Dilma venceria a eleição, mas dizer isso assim pode soar — ao gosto dos que semeiam preconceitos — como desqualificação do voto do nordestino.

Individualmente, os governadores Eduardo Campos, Jacques Vagner, Sergio Cabral, Cid Gomes, a família Sarney e o vice-presidente José Alencar foram os grandes cabos eleitorais de Dilma.

Quanto ao preconceito, foi o alimento de uma das candidaturas e não há de desaparecer assim, por encanto. Neste momento, serve às tentativas de “deslegitimar” o resultado das eleições.

Obrigada Brasil

Dilma é a mulher mais poderosa do mundo, diz jornal britânico The Independent


Reportagem publicada no jornal britânico Independent nas vésperas do 1º turno. Tradução de Katarina Peixoto para a Carta Maior

Hugh O’Shaughnessy – The Independent

A mulher mais poderosa do mundo começará a andar com as próprias pernas no próximo fim de semana. Forte e vigorosa aos 63 anos, essa ex-líder da resistência a uma ditadura militar (que a torturou) se prepara para conquistar o seu lugar como Presidente do Brasil.

Como chefe de estado, a Presidente Dilma Rousseff seria mais poderosa que a Chanceler da Alemanha, Angela Merkel e que a Secretária de Estado dos EUA, Hillary Clinton: seu país enorme de 200 milhões de pessoas está comemorando seu novo tesouro petrolífero. A taxa de crescimento do Brasil, rivalizando com a China, é algo que a Europa e Washington podem apenas invejar.

Sua ampla vitória prevista para a próxima eleição presidencial será comemorada com encantamento por milhões. Marca a demolição final do “estado de segurança nacional”, um arranjo que os governos conservadores, nos EUA e na Europa já tomaram como seu melhor artifício para limitar a democracia e a reforma. Ele sustenta um status quo corrompido que mantém a imensa maioria na pobreza na América Latina, enquanto favorece seus amigos ricos.

Quando menina, na provinciana cidade de Belo Horizonte, ela diz que sonhava respectivamente em se tornar bailarina, bombeira e uma artista de trapézio. As freiras de sua escola levavam suas turmas para as áreas pobres para mostrá-las a grande desigualdade entre a minoria de classe média e a vasta maioria de pobres. Ela lembra que quando um menino pobre de olhos tristes chegou à porta da casa de sua família ela rasgou uma nota de dinheiro pela metade e dividiu com ele, sem saber que metade de uma nota não tinha valor.

Seu pai, Pedro, morreu quando ela tinha 14 anos, mas a essas alturas ele já tinha apresentado a Dilma os romances de Zola e Dostoiévski. Depois disso, ela e seus irmãos tiveram de batalhar duro com sua mãe para alcançar seus objetivos. Aos 16 anos ela estava na POLOP (Política Operária), um grupo organizado por fora do tradicional Partido Comunista Brasileiro que buscava trazer o socialismo para quem pouco sabia a seu respeito.

Os generais tomaram o poder em 1964 e instauraram um reino de terror para defender o que chamavam “segurança nacional”. Ela se juntou aos grupos radicais secretos que não viam nada de errado em pegar em armas para combater um regime militar ilegítimo. Além de agradarem aos ricos e esmagar sindicatos e classes baixas, os generais censuraram a imprensa, proibindo editores de deixarem espaços vazios nos jornais para mostrar onde as notícias tinham sido suprimidas.

Em 1986 ela foi nomeada secretária de finanças da cidade de Porto Alegre, a capital do estado, onde seus talentos políticos começaram a florescer. Os anos 1990 foram anos de bons ventos para ela. Em 1993 ela foi nomeada secretária de minas e energia do estado, e impulsionou amplamente o aumento da produção de energia, assegurando que o estado enfrentasse o racionamento de energia de que o resto do país padeceu.

Em 2000 ela adquiriu seu espaço com Lula e seu Partido dos Trabalhadores, que se volta sucessivamente para a combinação de crescimento econômico com o ataque à pobreza. Os dois se deram bem imediatamente e ela se tornou sua primeira ministra de energia em 2003. Dois anos depois ele a tornou chefe da casa civil e desde então passou a apostar nela para a sua sucessão. Ela estava ao lado de Lula quando o Brasil encontrou uma vasta camada de petróleo, ajudando o líder que muitos da mídia européia e estadunidense denunciaram uma década atrás como um militante da extrema esquerda a retirar 24 milhões de brasileiros da pobreza.

A Senhora Rousseff provavelmente convidará o Presidente Mujica do Uruguai para sua posse no Ano Novo. O Presidente Evo Morales, da Bolívia, o Presidente Hugo Chávez, da Venezuela e o Presidente Lugo, do Paraguai – outros líderes bem sucedidos da América do Sul que, como ela, têm sofrido ataques de campanhas impiedosas de degradação na mídia ocidental – certamente também estarão lá. Será uma celebração da decência política – e do feminismo.

Tradução: Katarina Peixoto

Leia o texto completo no blog Vi o Mundo, de Luiz Carlos Azenha

Como se cria uma atração no CQC (e um factóide político)


O incidente com o CQC

1. Marcelo Tas participa do programa "Manhattan Connection" [do Mainardi da Veja] na noite da vitória de Dilma. Afirma que há um clima internacional contra a liberdade de imprensa e que ficou espantado com a violência contra repórteres na atual campanha política nos EUA.

Os colegas de mesa se espantam e debocham de Marcelo, que garante ter visto um repórter ser algemado. Lucas Mendes, rindo surpreso, explica que foi o único episódio do gênero na campanha.

2. Marcelo Tas insiste e, com cara típica de falso preocupado, afirma sentir-se muito preocupado com o cerco à imprensa no Brasil, que estaria ficando insuportável.

3. Pouco depois, Noblat publica o post "Espancada em Brasília equipe do CQC".

"O repórter Danilo Gentili, um produtor e um cinegrafista da equipe do programa CQC foram espancados, há pouco, por seis agentes de segurança do Hotel Nahum, de Brasília, onde a presidente eleita Dilma Rousseff fazia seu primeiro discurso."

4. No Twitter, Marcelo Tas associa maldosamente o conflito (com os *agentes de segurança do Hotel Nahum*) a Dilma Rousseff, cobrando dela uma posição sobre o fato.

@marcelotas: Dilma: "prefiro barulho da midia q silêncio da ditadura." E aí? RT @BlogdoNoblat: Espancada em Brasília equipe do CQC http://bit.ly/90pfbs

5. Marcelo é questionado e responsabiliza agora os "militantes da Dilma" pelo conflito.

HelioBorchardt RT @marcelotas: Não foi a Dilma, mas os militantes dela. RT @rgartz: Deixa eu entender: a Dilma socou o Gentilli e toda a equipe do CQC?

6. Os tuiteiros tucanos, até então recolhidos pela tristeza da derrota, voltam à ativa, seguindo a dica do seu líder. Agora a responsabilidade é da "turma da Dilma", do "PT" ou da própria Dilma.

felipefilipini Parece que a turma da Dilma já começou bem! Metendo porrada no @danilogentili do CQC. Amanhã passa na BAND!

@ConservadorBr: #LutoBrasil - pela falta de democracia e pela violência do PT contra o CQC e Danilo Gentili

luizalcides Eia! E nem assumiu ainda... RT @BlogdoNoblat: Espancada em Brasília equipe do CQChttp://bit.ly/90pfbs

@lossavero: http://bit.ly/90pfbs essa é a liberdade de imprensa DILMA? começando bem ein...

@kishidomatt: CQC já foi ESPANCADO pela militância da querida Dilma. E isso logo após os resultados. Quero nem ver em 4 anos.

@Luize_Oliveira: @marcelotas Ela apenas mostrou do que ela é capaz de fazer... se o CQC fooi agredido,imagina o brasil l#oremos

7. Começa a mobilização para se assistir à nova atração do CQC, associada à tese de Marcelo Tas que fora enunciada no "Manhattan Connection".

@marcelotas: Sim, amanhã a gente mostra noCQC e vocês tirem suas conclusões. Viva a liberdade de expressão!

TiagO_Bartwoski @DaniloGentili não perco o #CQC amanhã por nada vei!Danilo Gentili e a equipe,foram espancados por 6 seguranças da Dilma começou a #Ditadura


Comentário nosso: Depois que o Marcelo Tas declarou apoio a José Serra em seu microblog twitter, além de ter prestado assessoria ao DEM e comparado o presidente Lula ao famigerado Hitler, não é mais novidade essa obsessão do “humor inteligente” do CQC em querer colocar a pecha de violentos nos militantes do Partido dos Trabalhadores, assim como fez o Serra e a Globo com a bolinha de papel. Lula e Dilma, os “terroristas”, que o digam, não é Tas?

Dilma e Ricardo Coutinho vencem na Paraíba


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Dilma e José Maranhão vencem em Belém


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Roberto Flávio derrota Tarcísio Marcelo pela quinta vez consecutiva em Belém, na Paraíba

Pela quinta eleição consecutiva, o prefeito Roberto Flávio derrota o ex-prefeito Tarcísio Marcelo em Belém. Foram cinco vitórias desde a eleição estadual de 2006, passando pela eleição municipal em 2008 e agora em 2010 nos dois turnos da eleição estadual.

O candidato ao governo da Paraíba apoiado por Tarcísio Marcelo em 2006, o ex-governador Cássio Cunha Lima, foi derrotado tanto no primeiro quanto no segundo turno na cidade de Belém. Já em 2008, a candidata e esposa de TM, Ana Marly, perdeu a eleição municipal para Roberto Flávio, o qual se reelegeu com uma ampla maioria.

Nessa eleição para governador, Tarcísio Marcelo perdeu mais duas vezes para o prefeito Roberto Flávio com a vitória de José Maranhão nos dois turnos na cidade de Belém. Zé Maranhão venceu no primeiro turno com 60,03% dos votos válidos, e no segundo turno com 54,79%.

Em Belém, migração dos votos brancos e diminuição das abstenções favoreceram Ricardo Coutinho no 2º turno. José Maranhão obteve quase a mesma votação

Analisando o resultado da eleição em segundo turno para governador na pequena cidade de Belém da Paraíba, percebemos que o que favoreceu o aumento dos votos para o candidato Ricardo Coutinho (PSB) foi a migração dos votos brancos para o socialista e a diminuição das abstenções.

No primeiro turno para governador, a soma das abstenções, brancos e nulos atingiu 4.351 votos, enquanto no segundo turno esse número caiu para 3.726, uma diferença de 625 votos.

Já a votação do governador José Maranhão neste segundo turno caiu apenas 120 votos em relação ao primeiro. No primeiro turno, Maranhão conseguiu 5.304 votos, e agora no segundo turno atingiu 5.184.

Tarcísio Marcelo é preso por boca de urna em Belém

O fato que chamou a atenção da população belenense na tarde de ontem em Belém foi a prisão do ex-prefeito Tarcísio Marcelo. TM foi acusado de praticar boca de urna e ficou detido no ginásio de esportes “O Xaviezão”.

A notícia da prisão de Tarcísio Marcelo mereceu destaque nas emissoras de rádio da região do brejo paraibano e em vários portais do estado. Uma multidão de curiosos, pró e contra TM, se concentrou em frente ao ginásio de esportes.

Tarcísio Marcelo, que é irmão do presidente da Assembleia Legislativa da Paraíba, foi liberado pela justiça eleitoral logo após o término da eleição, por volta das 17:00 h.




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